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Acolhendo o sofrimento mental junto à Atenção Primária: relato de experiência

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Este trabalho relata a experiência de um Centro de Atenção Psicossocial de Curitiba no cuidado de uma usuária com sofrimento mental e histórico de internações psiquiátricas com infrutíferas tentativas de reinserção no exercício da cidadania. Sua trajetória na saúde mental envolve inúmeras combinações de psicotrópicos, insuficientes esforços de profissionais em traçar diagnósticos e tratamentos eficazes, assim como comporta um estigma de indivíduo intratável e de alta periculosidade para a sociedade, em decorrência de vários episódios de auto e heteroagressividade – trajetória que desafia a responsabilização da atenção primária nas estratégias de cuidado. Objetivo: relatar experiências do trabalho no CAPS para uma usuária com tentativas anteriores frustradas de tratamento, envolvendo manejo minimamente farmacológico e cuidado territorializado. Descrição da experiência: as estratégias de tratamento envolveram discussões interdisciplinares para traçar o tratamento e envolver a atenção primária e serviço social, mensuração de comportamentos disfuncionais e consequenciação daqueles com heteroagressividade, escuta qualificada e acolhimento pelos profissionais dos equipamentos, gradativa redução da quantidade de psicotrópicos prescritos e apropriação no manejo do caso pelas equipes envolvidas. Discussão: a responsabilidade do cuidado de uma usuária com comportamentos controversos e estigmatizado pelos dispositivos de saúde possibilitou à equipe do CAPS discutir seus recursos para atender em território e reiterou a inexistência do cuidado em liberdade sem o envolvimento da atenção primária. O manejo pautou o cotidiano dos serviços implicados com debates de equipe a fim de apresentarem suas opiniões e objetivos no tratamento da mesma e pôr em discussão o poder paralisante do estigma na continuidade do tratamento. Conclusão: cuidar em liberdade é possível no CAPS se houver a aproximação da Rede de Atenção Psicossocial e os profissionais forem protagonistas na articulação com a atenção primária, revisarem sistematicamente as próprias experiências de cuidado entre si e questionarem o poder estigmatizante de tratamento que colocam sobre qualquer usuário.