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Atualmente, cerca de 50 milhões de pessoas fazem uso diário de benzodiazepínicos. O perfil desta população tem predominância entre as mulheres acima de 50 anos, com doenças crônicas. De toda prescrição de psicotrópicos, os benzodiazepínicos são responsáveis por cerca de 50%. Os principais efeitos colaterais do uso contínuo de benzodiazepínicos englobam: diminuição da atividade psicomotora; o prejuízo cognitivo; sonolência excessiva diurna; piora da coordenação motora fina; piora da memória (amnésia anterógrada); tontura, zumbidos; quedas e fraturas; reação paradoxal; anestesia emocional; interações medicamentosas; piora do desempenho psicomotor, cognitivo, quedas e risco de acidentes no trânsito. 50% dos que usaram por mais de um ano chegaram a usar por 5 a 10 anos, tendo, portanto, um alto risco de dependência. Além disso, têm alto potencial de abuso: 50% dos pacientes que usam por mais de 12 meses evoluem com síndrome de abstinência. Os sintomas da síndrome se iniciam progressivamente dentro de 2 a 3 dias após a parada de benzodiazepínicos de meia-vida curta e de 5 a 10 dias após a parada de benzodiazepínicos de meia-vida longa, podendo também ocorrer após a diminuição da dose. Diante dos presentes dados, dá-se a importância da desprescrição desta classe medicamentosa e a vasta gama de possibilidades para tal feito, principalmente no contexto da Atenção primária a Saúde, pois podemos contar com a equipe multidisciplinar, a longitunalidade, o tratamento farmacológico e não-farmacológico da dependência e garantir acesso e acolhimento aos pacientes em desmame. A qualificação do tipo de insônia, a importância da abordagem individual, familiar e comunitária do assunto são pautas interessantes e pouco discutidas na literatura. Destacamos como principais estratégias para o desmame: tratamento das patologias de base, relação médico-paciente, abordagem familiar, atendimento multiprofissional e medidas farmacológicas e não farmacológicas para tratamento da dependência.