Abordagem da Paralisia de Bell (PB) na APS: relato de caso
A principal causa de paralisia facial periférica aguda é a PB, cujos diagnóstico e abordagem devem ser feitos na APS, na maioria dos casos sem necessidade de referenciamento para outros níveis de atenção. Este estudo é o relato de experiência de uma equipe da ESF do CMS João Barros Barreto (Copacabana, Rio de Janeiro), ante a três casos nos quais abordagem desde diagnóstico até tratamento foi feita na própria unidade. Os pacientes tinham idade entre 34-67 anos, duas do sexo feminino e um do sexo masculino, uma paciente apresentava comorbidade (HAS). Procuraram a unidade entre 4-7 dias de início do quadro, relataram como sintomas hemiparesia de rápida evolução, parestesia, fenômeno de Bell, otalgia, hiperacusia. Todos os paciente foram avaliados por um médico residente em consulta não agendada. Além da anamnese e exame fisico, foram solicitados testes rápidos (HIV, Sifilis, Hepatite B e C) e exames laboratoriais criteriosos (visto que diagnostico de PB é de exclusão e pode ter associação com DM, gestação e malignidade do sistema linforreticular). Os pacientes foram encaminhados para avaliação e acompanhamento pela Fisioterapia do NASF e orientados quanto aos cuidados para evitar lesão corneana. Apenas para uma paciente foi prescrito corticosteroide e antiviral nas primeiras 72h por ter procurado outra unidade antes. Na avaliação do fisioterapeuta, foram orientados sobre exercícios de mímica facial com folha ilustrativa. Os pacientes permanecem em acompanhando com a equipe e mostraram resultados significativos de melhora, sendo a recuperação completa pode ocorrer em até um ano, porém cerca 5% permanecem com sequelas. Entendemos a APS como espaço privilegiado para o cuidado de usuários com PB, pela facilidade de acesso, abordagem mais integral e multidisciplinar e continuidade da atenção para além da resolução dos sintomas. Destacamos o papel do MFC em tranquilizar o paciente, visto que PB é benigna e prognóstico muito favorável.