Abordagem ao alcoolista na APS em área rural
O enfrentamento de problemas relacionados ao abuso de álcool de uma comunidade em área rural é um importante desafio para Atenção Primária a Saúde. Tanto pela complexidade das situações de saúde e fatores determinantes dos problemas quanto na elaboração de um plano terapêutico com poucos recursos e quase sempre uma fraca rede de apoio. Dessa forma, faz-se necessário que o Médico de Família e Comunidade e toda a equipe adquiram estratégias organizadas e criativas para acolher tais demandas. Nesse sentido, trago relatos de experiência de cinco casos vivenciados em uma UBS na Vila BaseVI, área rural do Distrito Federal, durante quase dois anos de residência médica. Concordante com a literatura, nossos casos são homens, entre 35 – 60 anos de idade, alcoolistas há mais de cinco anos, com prejuízos evidentes e com tentativas fracassadas de interrupção do uso. São problemas index de suas famílias, com difícil convivência familiar e alto índice de violência familiar e de gênero. Possuem fraca rede de apoio, histórias prévias de conflitos e problemas com a justiça e baixa credibilidade de seus próximos. Chegam trazidos por terceiros e raramente são os responsáveis diretos pela tomada de decisão de seu próprio tratamento. Os maiores desafios encontrados são a adesão do tratamento longitudinal e a prevenção de recaídas. Assim, na estratégia de abordagem usamos o acolhimento em equipe, discurso motivacional, consultas guiadas pelo método transteórico e abordagem centrada na pessoa, rastreamento e acompanhamento com as escalas AUDIT e ASSIST, fortalecimento de rede de proteção, de preferência familiar, medicalização com doses suficientes e adequação diária segundo evolução e utilização de todos recursos disponíveis no ecomapa como casas de apoio, instituição religiosas e associações de moradores. Os desfechos são variados, dependentes de múltiplos fatores e, em sua maioria, positivos com maior reorganização pessoal, apaziguamento familiar e reinserção social.