A relação médico-paciente e serviço de saúde-comunidade em tempos de zika
Introdução: Desde 2015, o Brasil enfrenta uma epidemia de zika. A gravidade dos casos, aliada à dificuldade de controle do vetor, tem provocado medo, angústia, insegurança e até neurose coletiva.É uma realidade nova em termos de saúde pública, sendo uma doença com complicações ainda pouco conhecidas e potencialmente limitantes. Objetivos: A pesquisa estudou possíveis mudanças nas relações médico-paciente e serviço de saúde-comunidade diante da epidemia atual, até então inexistente no país. Metodologia: Optou-se por metodologia qualitativa, empregando-se a entrevista semi-estruturada, a partir do cruzamento dos objetivos com as informações apreendidas da revisão de literatura, e a observação. Utilizou-se a técnica da análise de conteúdo e a observação livre das fotografias, a fim de apreender as principais mensagens que emergiam desses registros, e seus significados. Discussão: A análise de conteúdo de entrevistas semi-estruturadas com médicos e usuários de unidades básicas de saúde do município de Campinas-SP mostrou que o tema da infecção pelo zika vírus não surgiu durante as consultas de pré-natal, deixando assim de causar impactos emocionais tanto em profissionais da saúde como em usuários. No que diz respeito à relação serviço de saúde-comunidade, as mesmas estratégias coletivas de combate a dengue foram transferidas para o combate à zika, não havendo importantes alterações dessa relação. Além disso, as opiniões sobre o modo como a mídia abordou o assunto divergiram entre pertinência e exagero. Conclui-se então que, no município de Campinas, a epidemia de zika não atingiu a preocupação das gestantes, não afetando a relação médico-paciente pois a carga emocional e também conteudista atrelada ao assunto não precisou ser trazida à tona.