A inserção prática em diferentes territórios para a compreensão da territorialização
A territorialização é uma ferramenta fundamental na Estratégia de Saúde de Família, pois, a partir da determinação dos problemas de uma comunidade, é possível traçar ações mais resolutivas para melhor promoção e prevenção em saúde. Nessa perspectiva, torna-se indispensável o conhecimento do território e da sua dinâmica econômica, cultural e social pelos profissionais da área. Entretanto, a atuação em territórios distintos ainda segue rarefeita e segmentada ao longo do curso em algumas faculdades de medicina, de modo a não despertar nos estudantes uma compreensão completa desse instrumento. Pretendemos demonstrar a importância da inserção discente em diversos territórios, para o entendimento da territorialização e para o exercício do fazer médico não apenas técnico, mas também humanisticamente qualificado. Frente ao desaponto criado por práticas docentes obsoletas, hospitalocêntricas e apáticas ao sofrimento humano, procuramos em estágios na atenção básica e em projetos de extensão ambientes mais propícios para o aprendizado dos conceitos intrínsecos à atenção primária e integral à saúde. Fora dos muros da universidade, tivemos a chance de atender e estabelecer diálogo tanto com a população de Copacabana, bairro privilegiado carioca, quanto com habitantes da Rocinha e do Jardim Gramacho, regiões marginalizadas da metrópole. Ao vivenciar as diversas áreas nas quais estivemos inseridos, praticamos a adequação da abordagem e da linguagem nas distintas populações, além de atestar a necessidade de adaptação às suas particularidades. É a partir desse confronto que são violentamente ressaltados os contrastes das demandas de cada local. Com o intuito de engendrar empatia e aprimorar as capacidades técnicas e humanas dos estudantes de medicina para lidar com as diversas realidades, a atuação em distintos espaços surge como condição imprescindível para a formação de um profissional qualificado. Os estágios e projetos de extensão em saúde vem, nesse contexto, preencher as lacunas dos modelos de ensino tradicionais ainda vigentes.