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A Influência do Machismo na Saúde Mental das Mulheres

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Vivemos tempos conturbados, em que a conquista das mulheres de espaços antes ocupados apenas por homens convive com uma retomada do conservadorismo em níveis locais e mundiais, conservadorismo que, entre outras violências, reforça a violência contra a mulher. Em pesquisa do Datafolha, observamos que em 2016, 503 mulheres foram vítimas de agressão física a cada hora no Brasil. São 4,4 milhões de mulheres brasileiras agredidas fisicamente em 2016. Quanto à agressão verbal, a estimativa sobe para 12 milhões. Estimativa certamente subestimada, por inúmeros motivos, como a vergonha de se assumir vítima ou a naturalização da violência, que impede seu reconhecimento. Em 61% dos casos, o agressor era conhecido. O presente trabalho tem por objetivo chamar a atenção para esse grave problema de saúde pública, correlacionando o machismo com o prejuízo à saúde mental de inúmeras mulheres. Nesse intuito, discutiremos alguns casos de nossa prática. Monique, 28 anos, casada há 3 anos, profundamente insatisfeita com o comportamento do parceiro, somatiza sofrimentos. Carla, 39 anos, casada há 15 anos, alvo de violência psicológica, econômica, verbal; depressão. Beatriz 36 anos, casada há 10 anos, alvo de gaslighting, violência física; uso abusivo de álcool e maconha. O que essas e tantas mulheres têm em comum? São vítimas não apenas de seus homens, mas especialmente da sociedade em que vivemos. Como combater o machismo com fluoxetina? A menos que acreditemos numa mágica coincidência de homens de “má índole” no Brasil, precisamos reconhecer que a violência contra a mulher é um problema social, embasada numa certa forma de entender os papéis de gênero, em privilégio dos homens, que identificamos como machismo. Essa configuração social é fonte de sofrimentos incontáveis, que aparecem na prática da Atenção Primária. Precisamos estar atentos para ouvir esse sofrimento e sermos criativos para pensar em formas para enfrentar sua causa.