A formação médica na comunidade como integração curricular: o exemplo de Cuba.
A criação da Escola Latino Americana de Medicina em Cuba teve como objetivo graduar médicos provenientes das mais distintas realidades de países da América, África e Ásia para atuarem em regiões com carência de acesso aos serviços de saúde. Tendo em vista a existência de um modelo assistencial único no país, a graduação se fez na perspectiva da Medicina de Família e Comunidade e Atenção Primaria de Saúde. O presente trabalho trata-se do relato de experiência de estudantes graduados nesta escola no conceito de Médico Geral Integral em Cuba. Tem como objetivo discutir a relação do estudante de medicina com a comunidade na qual está inserido, e sua importância como elemento pedagógico na formação integral do futuro médico. Para tanto, se analisa a estrutura curricular do curso, os ambientes de formação pedagógica, a procedência diversa dos estudantes e a influência da reforma curricular. Foi possível constatar como a formação do médico em Cuba, com uma grade curricular que se mantém ainda sob um modelo flexneriano, com viés preventivista, ao relacionar-se com os espaços de formação pedagógica centrados nos princípios da medicina de família e comunidade, possibilita a formação de profissionais comprometidos com o acesso à saúde e atuantes no âmbito da atenção primária. As diferentes realidades socioculturais e históricas que se contrapõem neste processo de aprendizagem, atuam como fatores que facilitam a prática através do método clínico centrado na pessoa.