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A dramatização como ferramenta pedagógica: experiências de uma oficina sobre diabetes

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O campo da promoção da saúde no Brasil vem desafiando permanentemente os profissionais da Atenção Básica, a construir caminhos para viabilizar estratégias ‘operacionais’ que privilegiem uma visão sensível e equitativa da realidade sociossanitária, nos territórios adstritos. Oficinas educativas representam ferramentas potentes nesse sentido, se trabalhadas como dispositivos contextuais que valorizam experiências pessoais e coletivas, no processo de cuidado em saúde. Ao considerar tais pressupostos, o texto busca apresentar e discutir questões relacionadas a uma oficina sobre diabetes, planejada e realizada em 2016 por um grupo de alunos da 2ª fase do curso de medicina da Universidade Regional de Blumenau (FURB), inseridos em uma Estratégia Saúde da Família, no município de Blumenau, SC. Ao reconhecer a dificuldade de tratar dos aspectos técnicos no controle e prevenção da diabetes junto aos usuários de uma ESF, os alunos optaram por sensibiliza-los através de uma ação teatralizada. A partir de um diálogo lúdico entre duas personagens ficcionais (ambas idosas, portadoras de diabetes e, caracterizadas como moradoras do bairro), conseguimos acessar o interesse dos usuários para os quais se dirigiram o objetivo da atividade. O sucesso da iniciativa teve dois aspectos a destacar: o uso da narrativa lúdica e a valorização (nos diálogos ficcionais) da experiência prévia dos diabéticos moradores do território. Após a realização do teatro e a explanação das informações técnicas, foram discutidas questões em pequenos grupos tutoriais, nos quais todos permaneceram engajados.Tal experiência mostrou a importância ‘humanizadora’ desse tipo de ação educativa, dirigida às pessoas portadoras de diabetes. O teatro contém mecanismos simbólicos de representação social, que sugerem diferentes possibilidades de interação com a realidade cotidiana, criando um espaço que favorece o diálogo com tais grupos, que requerem abordagens mais complexas na lida com suas condições crônicas que, em geral, podem incapacitar e estigmatizar, sobretudo em territórios periféricos precarizados.