VOZES JUVENIS: IMPRESSOS ESTUDANTIS SECUNDARISTAS E DISPUTAS DE SENTIDO EM BELO HORIZONTE DURANTE A DITADURA CIVIL-MILITAR (1969-1979).

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Resumo

O presente estudo, fruto de um projeto de pesquisa de doutorado, insere-se no campo da História da Educação e fundamenta-se nos pressupostos da História Cultural em diálogo com a História Política. Seu objetivo central é analisar de que maneira os impressos estudantis produzidos por secundaristas em Belo Horizonte, entre 1969 e 1979, expressaram, tensionaram e disputaram sentidos políticos, culturais e sociais no contexto da Ditadura Civil-Militar, revelando a pluralidade de vozes que compunha o movimento estudantil. Os impressos utilizados como fonte e objeto de investigação incluem O Avestruz. O Caminhando contra o vento e Voz da CCEMA, ambos do Colégio Estadual Central; Roda Viva, publicação da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES); e Ele e Ela, produzido por estudantes do Colégio Arnaldo, instituição confessional da capital mineira. Além desses jornais, serão mobilizados documentos oficiais do acervo do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) do Arquivo Público Mineiro, documentos escolares históricos e relatos orais, estes últimos produzidos segundo os princípios metodológicos da História Oral, possibilitando aproximar experiências individuais das dinâmicas coletivas que marcaram o período e ampliando substancialmente o alcance interpretativo da pesquisa. No campo historiográfico, o estudo articula os conceitos de representações e práticas (Chartier, 1990; Certeau, 1994) com a noção de cultura política (Motta, 2018; Bernstein, 1992), além de dialogar com estudos sobre as formas de juventudes presentes no contexto da Ditadura Civil-Militar, destacando contribuições como as de Braghini (2010) e Lima (2020). Busca-se, assim, compreender como jovens, muitas vezes considerados marginais nos processos de decisão, produziam discursos, construíam identidades e elaboravam estratégias de ação em meio ao ambiente repressivo do regime militar. Pretende-se evidenciar as disputas internas ao movimento estudantil, a diversidade de posicionamentos existentes entre seus membros e as maneiras como esses estudantes interpretavam acontecimentos nacionais e internacionais, relacionando-os à defesa de direitos, participação política e cidadania. A investigação também se propõe a analisar a produção e a circulação dos impressos, os mecanismos de censura e vigilância estatal, as formas de controle exercidas pelas instituições escolares e as táticas criativas utilizadas pelos jovens para burlar tais restrições e manter espaços de debate ativo. Ao explorar esse conjunto documental múltiplo, o estudo contribui para ampliar a compreensão das formas de participação juvenil e do papel da escola como espaço de sociabilidades políticas, destacando a centralidade da cultura escrita na produção e contestação de sentidos durante a Ditadura Civil-Militar. Dessa forma, reforça-se a importância desses materiais para a renovação dos debates na História da Educação e para a compreensão das complexidades que marcaram o período.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal de Minas Gerais
Eixo Temático
  • 3- Imprensa e impressos educacionais
Palavras-chave
Juventude secundarista
História da Educação
Impressos estudantis