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Ainda que o tema das viagens (Leite, 2000) e das “viagens pedagógicas” e “(i)migrações” venham sendo objeto de estudos em diversos domínios, ainda há muitas possibilidades de exploração dos registros das viagens. No que ser refere ao campo da história da educação, a coletânea organizada por Gondra e Mignot (2007) pode ser tomada como referência importante para a agenda deste tipo de investigação, ao chamar atenção para arquivos e fontes diversas (diários, relatórios de viagem, cartas, fotografias, etc) que indiciam os destinos nacionais, intracontinentais e intercontinentais, bem como a funções que as viagens e os deslocamentos mais ou menos duradouros cumpriram na trajetória dos agentes, campos de saber e instituições envolvidas. As pesquisas em torno desses dois fenômenos têm procurado combinar o necessário trabalho de arquivo com a análise das redes humanas, disciplinares e institucionais, o que tem ajudado a fertilizar as reflexões a partir deste tipo de angulação. Trata-se, portanto, de dar continuidade às reflexões que contornam este debate, de modo a explorar aspectos e experiências pouco ou ainda inexploradas na historiografia. Com isso, reunimos quatro estudos em torno das relações entre viagem, (i)migração e história da educação. No primeiro, tratamos da viagem, migração e fixação em solo brasileiro de um madeirense (Euzebio Vanerio) que realizou ações na difusão do Sistema de Ensino Mútuo. O segundo estudo aborda a viagem de um francês (Victor Cousin) a um território vizinho, recurso que permite que reconheça nas experiências avizinhadas aquilo que poderia orientar medidas no mundo francês. O terceiro focaliza as viagens e exílio de uma médico-educadora italiana (Maria Montessori), no qual se trabalha com o argumento de que a circulação pessoal para a divulgação das perspectivas educativas da viajante se configurou em agenciamento para projeção e legitimação da chamada pedagogia montessoriana. Por fim, o último trabalho investiga a viagem de uma educadora paraibana (Alice de Azevedo Monteiro) ao Rio de Janeiro, condição para pensar o regime de circulação das propostas froebelianas para a organização dos jardins de infância na Paraíba. Os estudos reunidos, apoiados nos “resíduos” de diferentes viajantes, encontram-se ancorados em revisão bibliográfica e núcleo documental diversificado, contribuindo para (re)pensar alguns dos sentidos dos deslocamentos, suas durações (curtas, médias e permanentes), circuitos (nacionais, intracontinentais e intercontinentais), finalidades e alguns dos seus efeitos no campo da educação, o que permite (re)discutir determinadas dimensões da formação escolar e não escolar, por meio das quais exibimos as mediações entre sujeitos, saberes e instituições nos períodos e espaços visibilizados nas pesquisas realizadas, de modo a manter no horizonte o “trânsito” e seus vestígios como parte de uma agenda de investigação que também contribui para desnacionalizar o fenômeno da educação.
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