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Este texto é uma tentativa de análise da obra Escola Brasileira, de José da Silva Lisboa (1750-1835), o visconde de Cairu. O livro é um objeto que nos ajuda a compreender as bases morais e políticas da educação no Brasil Império. Inserido em uma sensibilidade romântica a intenção era de conciliar a tradição religiosa com a construção de uma nova civilização nos trópicos. Cairu não propõe um sistema educacional institucionalizado, mas utiliza seus livros de instrução como estratégia para moldar o imaginário das futuras gerações. Percebemos que o autor embasou o edifício moral da nação na tríade Fé, Liberdade e Ordem, em que a religião católica atua como motivação necessária para todo o conhecimento científico e civil no novo país. Usamos como referência as notas de rodapé do livro Escola Brasileira, do visconde de Cairu, na medida em que de todo o livro esta é a intervenção do autor ao tecer comentários ajustados à realidade brasileira da época percebida pelo mesmo; nossa tentativa foi a de perceber como o autor utiliza o texto bíblico, e por isso analisamos apenas as notas de rodapé criadas pelo visconde de Cairu, que visava legitimar a ordem social estabelecida e a autoridade monárquica de d. Pedro I, apresentando-a como uma delegação divina para a felicidade da nação. além do livro usamos também os jornais de Hemeroteca Brasileira, dispostos na Biblioteca Nacional na tentativa de reconstruir parte da sociedade da época. O método usado para essas leituras foram a História Cultural e a História Social como forma de entender a cultura e a sociedade brasileiras da época imperial. Percebemos que o visconde de Cairu entendia a ciência como um dom divino e um complemento da fé devendo ser ensinada a partir de uma perspectiva emotiva e benevolente, inspirada em modelos cristãos em oposição à racionalidade iluminista francesa. Conclui-se que o livro Escola Brasileira operou como uma poderosa ferramenta de contenção e produção social, sustentando um modelo de sociedade conservadora e autoritária cujos ecos, marcados pela busca de um ordenamento natural e hierárquico, permanecem como permanências culturais significativas na história da educação brasileira. Para Cairu as tensões sociais manifestam um antiescravismo de matriz moral, argumentando que a escravidão foi um entrave à propagação da civilização cristã e que o seu fim, aliado a uma forte educação de negros e brancos pobres, produziria trabalhadores dóceis e úteis ao Império. A educação é assim concebida como um processo de "marcar" no espírito juvenil marcas de virtude que evitem o retorno à situação colonial ou a queda em ideologias republicanas e maçônicas.
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