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Neste texto analisa-se os discursos proferidos pelos professores paraninfos das turmas de normalistas, nas formaturas da Escola Normal Assunta Fortini de Barão/RS, criada em 3 de outubro de 1962, por meio do Decreto nº 14.193, na Vila de Barão, no município de Montenegro. Para fins dessa análise foram selecionados cinco discursos no recorte temporal de 1965 a 1970, para constituir quais as representações expressas foram registradas nas fontes documentais. O período em estudo representa as primeiras formaturas da escola. O estudo situa-se no campo da História da Educação e das instituições escolares. A escolha metodológica foi a análise de discursos proferidos pelos professores paraninfos, por meio da análise das fontes documentais do acervo escolar, como as atas do período que encontram-se no livro de formatura. Tais fontes expressam representações sobre a docência. Chartier (1990) contribui para a análise com o conceito de representações. Tal conceito está inserido na história cultural. O autor, em seus estudos, argumenta que as representações “[…] têm tanta importância como as lutas econômicas para compreender os mecanismos pelos quais um grupo impõe, ou tenta impor, a sua concepção do mundo social, os valores que são seus, e o seu domínio” (p. 17). O objetivo dessa pesquisa é identificar e tabular os ítens de cada um dos discursos, selecionando palavras e expressões que traduzem as representações sobre a docência e o/a professor/a. Foram identificados os principais sujeitos da história da instituição, recortes dos discursos e representações produzidas no período em estudo. Numa análise descritiva, os discursos apresentam, em geral, os cumprimentos, formalidades com as autoridades, as vivências no curso, as felicitações aos formandos e conselhos, diante da profissão assumida, aos futuros professores. Numa análise das representações, são expressos valores morais, noções de civismo, de ordem e civilidade que no discurso estão relacionados ao fazer docente, ao papel do professor/a. Os discursos são mediados pelos registros nas atas, pelas convenções escolares e institucionais, de quem escreve as atas e de quem profere os discursos. pois estes comunicavam ideias, representações, os comportamentos que se esperavam dos futuros docentes e do que deveria ser ensinado para “as crianças da nação” Tais discursos se ancoram em uma nova educação, nova república, novos ideais, conforme Monarcha (2016). que ao mesmo tempo, anuncia o que há de possibilidades e momentos positivos na profissão, mas também apresenta responsabilidades e desafios da docência.
Referências
CHARTIER, R. A História Cultural: entre práticas e representações. Tradução:
Maria Manuela Galhardo. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990.
MONARCHA, C. A instrução pública nas vozes dos portadores de futuros
(Brasil – séculos XIX e XX). Volume VIII. 1. ed. Uberlândia: EDUFU, 2016.
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