Paulo Freire e Rubem Alves: Intelectuais da Libertação

- 334828
Comunicações Individuais - fase de envio de PDF
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

Esta comunicação apresenta parte da pesquisa, em curso, que estamos desenvolvendo para obter grau de Doutoramento em História. Nela, procuramos cotejar o pensamento educacional de Paulo Freire e Rubem Alves ao longo de suas trajetórias históricas, notadamente entre a década de 1950, período de formação dos autores, até 2014, quando Alves faleceu. Para tal, buscamos analisar o conjunto de textos mais significativos de ambos desde 1959 até a data de 2014. Avaliamos, no decorrer de seus textos, como os educadores desenvolvem os conceitos de Liberdade e Autonomia; bem como os pares correlatos de Opressão e Repressão. Mobilizamos essa discussão tendo como norte os aportes teórico-metodológicos da História dos Intelectuais e da História dos Conceitos. Para o primeiro caso, utilizamos as produções de Jean-François Sirinelli, Christophe Charle, Ângela de Castro Gomes e Patrícia Hansen; no segundo, as de Reinhart Koselleck. Nesse contexto, utilizamos como parte das fontes analisadas, as obras Educação como Prática de Liberdade (1967); Pedagogia do Oprimido (1968); e Pedagogia da Autonomia (1996); de Paulo Freire; bem como os textos Por uma Teologia da Libertação ([1969] 2020); Conversas com quem Gosta de Ensinar (1980), Estórias de quem Gosta de Ensinar (1982) e A Alegria de Ensinar (1984); de Rubem Alves. Estas obras são utilizadas por trazerem eixos centrais das pedagogias dos autores em suas trajetórias intelectuais. Os resultados preliminares permitem verificar que tanto Paulo Freire, quanto Rubem Alves, se apropriavam e ressignificavam influências teóricas que vinham de diversas tradições intelectuais, construindo sentidos singulares para suas pedagogias. Com Freire pensando liberdade e autonomia perpassado até o exílio no Chile, em 1964, pelo Personalismo Cristão e pelo nacional-desenvolvimentismo ligado ao ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros), assumindo, após 1964, a Filosofia da Práxis como norte político-filosófico. Temos uma síntese de filosofia educacional que postulava a autonomia como prática da liberdade, antepondo-se às opressões e configurando-se como um pensamento de forte enraizamento na História. Já em Rubem Alves, autonomia e liberdade são categorias do corpo, só havendo autonomia do sujeito se seu corpo for livre. Partindo, inicialmente, também de influências isebianas, Rubem Alves vai progressivamente adotando posicionamentos mais niilistas em razão de seu contato com a Filosofia da Linguagem, adotando, após 1975, posicionamentos que situam seus escritos em torno das categorias da “Teopoética”, influência marcante de seu pensamento educacional. Isto é, categorias tomadas em um processo de libertação histórica do corpo dos oprimidos, mediado por uma filosofia da educação anteposta a tudo que reprime o corpo na História. Temos, assim, duas pedagogias que se fundam em aspectos ético-políticos, tendo como plano de fundo interpretações da História que variam conforme a compreensão do político entre os autores.

Compartilhe suas ideias ou dúvidas com os autores!

Sabia que o maior estímulo no desenvolvimento científico e cultural é a curiosidade? Deixe seus questionamentos ou sugestões para o autor!

Faça login para interagir

Tem uma dúvida ou sugestão? Compartilhe seu feedback com os autores!

Instituições
  • 1 Universidade Federal de Minas Gerais
Eixo Temático
  • 2- Intelectuais e projetos educacionais
Palavras-chave
Paulo Freire
Rubem Altes
História dos Intectuais