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Criado em 1946 pelos empresários brasileiros do comércio de bens, serviços e turismo, o Serviço Social do Comércio (SESC) atua na cidade de São Paulo desde então, focando em ações educativas e culturais para formação cidadã de diversos públicos. Na década de 1990, a instituição começa a promover ações específicas voltadas para o público infantil através de exposições, oficinas e palestras para educadores. O presente texto tem por objetivo investigar a história de formação do programa Espaço de Brincar do SESC na cidade de São Paulo, programa de educação não-formal destinado ao público de crianças pequenas, de zero a seis anos, acompanhadas por um adulto responsável. As pesquisas iniciais indicam que o programa Espaço de Brincar (EB) foi inaugurado entre 2010-2011 na unidade do SESC Osasco e progressivamente foi sendo ampliado e levado para as outras unidades, seguindo ofertado gratuitamente até os dias atuais nas 25 unidades da capital, em espaços projetados e com profissionais específicos para atendimento da primeira infância. A partir da perspectiva teórico-metodológica da história das instituições toma-se como fonte privilegiada relatórios, entrevistas, dossiês, relatos de experiência, fotografias e materiais de audiovisual recolhidos no SESC Memórias (Centro de Preservação e Pesquisa da História Institucional do SESC), no Centro de Produção Audiovisual do SESC (CPA), além de matérias sobre o assunto divulgadas nas edições da Revista E, publicada mensalmente pela instituição. Para referenciar e subsidiar a investigação das fontes, serão utilizados o aporte teórico de Roger Chatier (sobre o conceito de representações culturais para pesquisar a especificidade do contexto observado) e a noção de projeto civilizador de Nobert Elias (para encaminhar discussões de como agentes econômicos da elite brasileira podem ser analisados no campo educacional ao mobilizar esforços que moldam e colaboram na formulação de políticas para o público infantil) como base para reflexão e compreensão de quais fatores políticos, sociais e educacionais desencadearam as motivações institucionais para criação e adoção deste programa destinado para ações específicas voltadas para a primeira infância. A análise das fontes demonstram que o programa Espaço de Brincar tem como intencionalidade pedagógica ser um espaço de educação não formal que proporcione repertório cultural às crianças que ali frequentam, garantindo o direito ao brincar a partir de uma programação diversa de propostas educativas, mas também revelam, em suas ausências, uma intenção institucional em moldar o público que frequenta a instituição e potencialmente virá a ser o trabalhador do comércio.
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