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Este trabalho tem como objetivo analisar o processo de institucionalização do Centro de Formação de Professores de Tocantinópolis (CFPP), no antigo norte goiano, entre 1971 e 1991, tomando a instituição educativa como objeto histórico, social e culturalmente situado no contexto da Amazônia tocantinense. Parte-se do entendimento de que as instituições escolares não se constituem exclusivamente por dispositivos legais ou arranjos administrativos, mas se produzem historicamente pela organização de práticas, pela atuação de sujeitos e pela construção de culturas escolares em territórios marcados por desigualdades regionais e por políticas estatais de interiorização do ensino. O referencial teórico-metodológico inscreve-se no campo da História da Educação, em diálogo com a História Cultural, mobilizando, sobretudo, as contribuições de Justino Magalhães (2004) acerca da história das instituições educativas e de Roger Chartier (1990) no que se refere às relações entre práticas, representações e apropriações. Metodologicamente, a pesquisa articula análise documental, levantamento prosopográfico e o uso da memória como fonte histórica, por meio da triangulação entre documentos normativos e administrativos como regimentos, legislações, relatórios e dossiês escolares , entrevistas com ex-diretores, docentes, servidores e egressos, além de registros iconográficos e vestígios da cultura material escolar. As fontes permitem compreender o CFPP como espaço de formação docente em nível médio, voltado à preparação de professores para o interior do estado, em um contexto caracterizado pela escassez de quadros qualificados e pela circulação sistemática de profissionais promovida pelo poder público. Os resultados indicam que a consolidação institucional do CFPP ocorreu menos pela estabilidade normativa e mais pela repetição de práticas escolares, pela atuação multifuncional de seus agentes e pela produção de uma cultura escolar própria, articulada à cidade de Tocantinópolis e à região do Bico do Papagaio. Observa-se que essa cultura escolar se constituiu no entrecruzamento entre prescrições oficiais e práticas cotidianas, produzindo modos específicos de ensinar, administrar e viver a escola, profundamente marcados pelas condições locais. Conclui-se que a pesquisa contribui para ampliar a historiografia da educação na Amazônia brasileira ao evidenciar experiências institucionais situadas, tensionando narrativas centralizadas sobre a formação de professores e reafirmando o papel das instituições educativas na produção de sentidos, pertencimentos e trajetórias docentes no interior do país.
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