O ACERVO ESCOLAR, A MEMÓRIA DE UMA CRECHE PÚBLICA E O MOVIMENTO POPULAR

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Resumo

O ACERVO ESCOLAR, A MEMÓRIA DE UMA CRECHE PÚBLICA E O MOVIMENTO POPULAR

Lidiane Barros Lobo
Doutora em Educação (UFF/RJ)
Contato: [email protected]

Discorreremos sobre a criação de uma creche pública no ano de 1988 a partir das lutas do movimento de bairros na periferia do estado do Rio de Janeiro. Assim, o objetivo deste trabalho é apresentar o processo de constituição do acervo histórico da instituição, 37 anos após sua fundação, como forma de preservação da memória da instituição, da ação dos sujeitos e das relações de classe que permearam o contexto educacional da década de 1980, assim como sua incidência em um contexto periférico. Afetados pela substantiva ausência de produção bibliográfica e a inexistência de arquivos que resguardassem a história da educação produzida em âmbito local, a construção de um acervo digital mantido pela própria unidade representou uma estratégia para a guarda de fontes documentais que resguardassem a memória da classe trabalhadora (Gramsci, 1934). Os estudos desenvolvidos utilizarão o materialismo histórico-dialético e seus pressupostos teórico-metodológicos, destacando as contribuições de Samuel (1990), observando as incidências locais associadas às determinações produzidas em outros âmbitos, como também o engendramento do real a partir da ação e da elaboração produzida pelos próprios sujeitos (Le Goff, 1990). Por tratar-se de um projeto iniciado no ano de 2025, os resultados demonstram que os impactos positivos podem ser mensurados por novas perspectivas assumidas pela comunidade escolar em relação a sua própria história, a valorização de fotos, documentos e depoimentos que relatem a participação – fundamentalmente das mulheres – no movimento de reivindicação de creches públicas. Um dos pontos negativos está na falta de profissionais habilitados para a seleção, manuseio, catalogação e a guarda das fontes obtidas com a comunidade e as funcionárias mais antigas. Concluímos que a capacidade de preservação de determinada memória, proveniente do interesse e das condições materiais, possibilita que a história de determinados grupos sociais seja a versão mais acessível ao conjunto da sociedade e, por isso, a versão dominante. No caso dos pesquisadores que dedicam-se ao estudo das experiências de caráter contra hegemônico, as ferramentas digitais constituem importantes meios para a guarda, a conservação e a produção de pesquisas.

PALAVRAS-CHAVE: História da Educação; Nova Iguaçu; Acervos escolares.

BIBLIOGRAFIA:

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere (livro eletrônico): caderno 25 (XXIII): 1934: às margens da história/ Antonio Gramsci; tradução Massimo Sciaretta, Ricardo Salles. – Rio de Janeiro: Rio de Janeiro: IGS-Brasil, 2024.

LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas, SP. Editora da Unicamp, 1990.

SAMUEL, Raphael. História local e História Oral. Revista Brasileira de História, São Paulo: ANPUH, v.9, n. 19. 1990.

 

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