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Introdução: A cidade de Teófilo Otoni, Minas Gerais, viveu também nos anos de 1920, o “otimismo pedagógico” e o “entusiasmo pela educação” que eram evidentes pelo envolvimento dos grupos da elite local nas decisões sobre a educação. O objetivo deste trabalho é apresentar a trajetória de uma professora que atuou na educação da cidade nesse período, vinculando seu projeto individual e ao mesmo tempo coletivo aos rumos da educação: a professora e diretora Antonina Chaves de Sá, minha mestra D. Tonica, como ficou conhecida. Sua prática pedagógica foi sempre vinculada a uma prática política na sociedade dos anos de 1920 a 1930. O nome da professora está associado com uma família de grande influência na cidade. Antonina era casada com o farmacêutico Dr Carlos Sá Junior. Nascida em Montes Claros, com o falecimento do marido em 1897 aos 30 anos de idade, Antonina se mudou para Teófilo Otoni com os filhos. Na cidade foi acolhida e se tornou a primeira diretora do grupo escolar da cidade. Antonina de Sá foi uma diretora dinâmica, cuja prática foi marcada pelo otimismo pedagógico e pelo entusiasmo pela educação (Nagle, 2001). A diretora Antonina concebia a educação como sendo capaz de regenerar o homem brasileiro por isso era assunto sério. Para ela o desempenho dos estudantes merecia estampar as páginas dos jornais locais então mandava publicar os resultados dos alunos na imprensa local. A metodologia desta pesquisa é documental e as fontes utilizadas são os jornais locais dos anos de 1920 a 1930 e os documentos da primeira escola da cidade. Os resultados da pesquisa sobre a professora e diretora Antonina Chaves de Sá permitem concluir que ela pode ser identificada com uma das duas categorias que Sirineli (1994) formalizou sobre os intelectuais. De acordo com este autor, existe um tipo de intelectual que age na sociedade por meio dos seus escritos, que é sua ação no mundo. Um outro, com o qual a trajetória de Antonina permite incluí-la, é a de uma intelectual engajada. Esse intelectual busca participar na coletividade, e diferente do conceito proposto por Sirineli, buscou o interesse comum na condução política, fazendo dela uma intelectual diferenciada. Dessa forma em 1928, o debate sobre o direito do voto feminino fervilhava na cidade e dividia opiniões. A imprensa conservadora criticava essa possibilidade enquanto jornalistas atentos às discussões na Europa e Estados Unidos defendiam o direito do sufrágio feminino. As mulheres teófilo-otonenses não ficaram omissas em relação ao debate. Decidiram unir forças e no ano de 1927, fundaram a União Feminina de Theóphilo Ottoni, com o intuito de reivindicar seus direitos e uma maior ação política. A primeira presidente escolhida foi Antonina Chaves de Sá, o que marca seu engajamento político com a coletividade..
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