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O presente trabalho analisa o Manual Alfabeticemos, material fundamental elaborado no contexto da Campanha Nacional de Alfabetização, pela Comissão de Alfabetização de Cuba em 1961. Este estudo busca compreender como o Manual Alfabeticemos e a Cartilha Venceremos, que foram instrumentos pedagógicos centrais na campanha de Alfabetização em 1961, se complementavam e serviam como guia metodológico para o ensino da leitura e escrita, no contexto pós-Revolução. O Manual guiava o alfabetizador, enquanto a cartilha era o recurso direto de ensino para o aluno. O Manual se tornou um referencial orientador para a formação do professor alfabetizador que orientava os alfabetizadores a adotarem uma postura pedagógica pautada na cooperação, no estímulo e na rejeição de práticas autoritárias. Este ainda buscava alcançar um currículo oculto voltado à tomada de consciência do papel social e à internalização dos princípios da Revolução Cubana. Visando a construção do homem novo, este currículo estaria pautado no que se considerou como pedagogia socialista, vinculada a uma concepção marxista na história. No plano simbólico e cultural, os materiais ajudaram a construir uma identidade nacional revolucionária, baseada na ideia de unidade e participação popular. Esta pesquisa, é de natureza bibliográfica e documental e examina as orientações do Manual e da Cartilha, que enfatizavam a relação amigável e cooperativa entre alfabetizadores e alfabetizandos. Associava o ato de alfabetizar ao desenvolvimento do caráter político e ideológico, conforme defendido por Fidel Castro (1960). A fim de compreender esta dualidade, buscamos embasamento teórico nos escritos de Gillette (1977) que analisa o modo de viver do cidadão Cubano naquele momento, enquanto que para compreender o material como guia metodológico, nos embasamos teoricamente nos escritos de Rosa; Amaral; Neto (2021). Os resultados demonstram a eficácia da Campanha, que reduziu drasticamente o analfabetismo em Cuba de 979.207 para 272.207, resultando em um índice de analfabetismo de apenas 3,9% da população cubana. O Manual Alfabeticemos foi instrumento de poder e implementação de uma prática pedagógica engajada e transformadora, pois proporcionou a integração social das camadas populares, inserindo trabalhadores rurais, camponeses e grupos historicamente marginalizados no universo da leitura e da escrita, o que se alcançou não foi apenas a alfabetização técnica, mas a formação de sujeitos sociais integrados ao novo modelo político e cultural cubano.
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