INTERFACES DA EDUCAÇÃO NÃO ESCOLAR NO ESPAÇO DA FEIRA

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Resumo

Em algum momento da história, a educação se cristalizou no tempo e espaço, tornando-se restrita entre os muros das escolas, normas, conteúdos e diretrizes curriculares. Esse movimento acabou enclausurando-a e, consequentemente, desconsiderando as diversas formas de ensinar e aprender. Distanciando-se das possibilidades de uma educação outra enlaçada pelas teias das relações das trocas e saberes que ocorrem na tessitura do cotidiano, nas praças, calçadas, nas travessias dos rios, nas florestas, nos terreiros, nas encruzilhadas, sobretudo nas feiras. Para Brandão (2019), somos seres enredados em redes e teias em meio a trocas recíprocas e contínuas, de ações, afetos emaranhados por práticas educativas e saberes das experiências. Neste sentido, nosso objetivo é traçar algumas reflexões sobre as interfaces da educação não escolar no espaço da feira, na tessitura do cotidiano, buscando compreender a educação para além do âmbito escolar. No bojo desse estudo, a história cultural surge como um campo historiográfico e suas contribuições são valiosas, dotadas de aportes teóricos e metodológicos, voltadas para a história da educação. Ao descortinar as dimensões ainda pouco exploradas fora da escola e da escolarização, que ecoam e lançam olhares para a educação na busca por novos caminhos (Falcon, 2006). Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica e de abordagem qualitativa, a partir do paradigma indiciário. Ginzburg (1989) aponta que os fios da pesquisa podem ser decifrados pelos sinais, indícios, traços, além das formas de saber ligadas à experiência, aos detalhes, às miudezas que normalmente passam despercebidas. Assim, pensar a educação longe dos modelos tradicionais de ensino abre brechas que supõem também uma educação da atenção (Ingold, 2010), que atravessa o aprendizado humano. Isto é, um aprender sozinho, olhando, ouvindo, observando sem necessariamente ter o professor como figura essencial nesse processo, ou seja, é um aprender que equivale à educação da atenção. Deste modo, os resultados obtidos sugerem que, no espaço da feira, as formas de aprender e ensinar esbarram nos saberes da experiência e nas práticas educativas; e os conhecimentos escolares, culturais e modos de vida se intercruzam com as práticas cotidianas e respingam na educação da atenção, no mundo e com o mundo. Concluindo, a educação não escolar que acontece no processo da vida cotidiana borra o que se entende por educação, pois o processo educativo não se esgota no escolar. Assim sendo, as reflexões aqui traçadas corroboram para os debates e necessidade de alargamento do que se compreende por educação, considerando as dimensões cotidianas. Bem como o espaço da feira como extensão da educação, abrangendo outros processos de formação humana e não humana, práticas educativas e saberes da experiência como parte significativa das interfaces da educação.

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Instituições
  • 1 Universidade do Estado do Pará
Eixo Temático
  • 11- Processos educativos e práticas de sociabilidade não-escolares
Palavras-chave
Educação não escolar
Feira
Saberes