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INSTRUÇÃO E FORMAÇÃO DO NATIVO AMERICANO DO SÉCULO XVI NA PERSPECTIVA DE BARTOLOMEU DE LAS CASAS
SANTOS, Christina Aparecida dos[1]
O nativo americano tem racionalidade? A esses seres exóticos, qual seria o meio mais eficaz de instruí-los na fé cristã? Como formá-los para a entendida “civilidade”? Eram polêmicas surgidas a partir do confronto ocorrido entre europeus e nativos americanos na conquista e colonização da América, no final do século XV e início do século XVI. Dependendo do modo como eram concebidos, se justificava as mais diversas formas de submissão, seja por meio bélico ou educativo. Quando concebidos como seres com capacidades racionais de entendimento, o processo de dominação ia para além das armas, perpassando também pelos meios da instrução e formação. Nesta perspectiva, encontra-se o frei dominicano Bartolomeu de las Casas (1474 - 1566) que, segundo a maioria de seus estudiosos, foi um considerável defensor do nativo. Como colonizador e clérigo, dirigiu-se para a América com a mesma finalidade de seus compatriotas e, após sua conversão, é entendido como aquele que se dedicou a defender o nativo contra os abusos dos colonizadores, julgados, por ele, como cruéis e violentos. A problemática norteadora da pesquisa foi: quais foram os meios idealizados por Bartolomeu de las Casas para a instrução e formação do nativo americano do século XVI? Objetivou-se analisar o modelo de instrução e formação do nativo proposto pelo dominicano, voltados, mesmo que de modo supostamente pacífico, à dominação e à submissão. Na busca de referências para desvendar os problemas levantados, privilegiou-se como fonte o terceiro volume de Historia de las Indias (1995), o livro Único modo de atrair todos os povos à verdadeira religião (2005) e os Oito Tratados (2010). A análise foi desenvolvida a começar da contextualização da fonte com a totalidade das relações estabelecidas no momento histórico em que foi produzida, sobretudo quanto às relações econômicas, políticas e sociais num processo de transformação social desencadeado. Concluiu-se que a instrução e a formação idealizada por Las Casas para o nativo americano, foi, antes de tudo, parte integrante e estratégica de seu projeto de submissão e docilização do nativo para atender às novas necessidades tanto da coroa espanhola quanto de sua Ordem. Fundamentado na racionalidade do nativo, o modo de instrução e formação do nativo, haveria de contar com a dedicação do mestre pregador que, com mansidão e amor levaria à submissão e dominação – tratou-se de um modo diferenciado para um mesmo objetivo. Desse modo, tendo como princípio a racionalidade nativa, opôs-se aos abusos dos colonizadores, mas não deixou de atender aos interesses da colonização.
Palavras-chave: Educação. História da educação na América. Bartolomeu de las Casas.
[1] Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Maringá – UEM. Docente da Universidade Estadual do Paraná – Unespar/Campus de Paranavaí. E-mail: [email protected]
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