Impressos, educação e anticomunismo no século XX

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Resumo

Com o objetivo de discutir como diferentes impressos atuaram na constituição de modos específicos de perceber, apresentar, definir e julgar o comunismo, participando ativamente da produção histórica de sensibilidades políticas no século XX, as pesquisas articuladas no eixo Anticomunismo e impressos que educam, do projeto financiado pelo CNPq Os impressos que educaram no século XX: janelas interpretativas para a(s) cultura(s) do escrito; dedicam-se a examinar as formas pelas quais esses materiais participaram da elaboração e difusão de discursos anticomunistas. Embora partam de objetos empíricos distintos e operem em escalas variadas, do local ao transnacional, os trabalhos convergem no interesse em analisar jornais, revistas, boletins e outros impressos como espaços privilegiados de produção de sensibilidades políticas. Os estudos contemplam diferentes circuitos de produção, circulação e leitura dos impressos, investigando tanto a imprensa de circulação local e especializada quanto periódicos de maior alcance, bem como materiais vinculados a projetos institucionais, associativos e confessionais. Nesse conjunto, são abordadas disputas ideológicas no interior do movimento operário, processos de difusão de discursos anticomunistas dirigidos à juventude por meio da imprensa estudantil, a atuação da imprensa em iniciativas católicas de educação popular e, ainda, a própria produção acadêmica que tomou o anticomunismo como objeto de investigação a partir do uso sistemático de fontes impressas. Essa diversidade de materiais, públicos e recortes temporais permite evidenciar o anticomunismo como fenômeno historicamente situado, plural em suas matrizes e atravessado por distintas perspectivas ideológicas. A análise em conjunto dos trabalhos aqui apresentados evidencia que o anticomunismo não se constituiu a partir de um único repertório discursivo. Se, em determinados contextos, articulou-se fortemente a argumentos religiosos, nacionalistas e morais, em outros produziu críticas de natureza política, sindical e organizativa, como aquelas formuladas no interior do anarquismo e do movimento operário. Os trabalhos demonstram, assim, que diferentes tradições ideológicas mobilizaram o anticomunismo a partir de fundamentos próprios, recorrendo a argumentos, vocabulários e estratégias discursivas específicas. Categorias morais, argumentos políticos e imagens recorrentes transitaram entre imprensa estudantil, periódicos de grande circulação e impressos especializados, sem que isso implicasse uniformidade ideológica, mas antes a coexistência e, por vezes, a tensão entre distintos projetos políticos e formativos.

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Instituições
  • 1 Universidade Estadual de Ponta Grossa
  • 2 Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
  • 3 Universidade Federal da Grande Dourados
Eixo Temático
  • 3- Imprensa e impressos educacionais
Palavras-chave
Anticomunismo
impressos
sensibilidades políticas