IMPRENSA, EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL OITOCENTISTA: discursos, práticas e projetos em disputa

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Comunicações Coordenadas
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Resumo

Esta Comunicação Coordenada reúne quatro pesquisas que investigam, a partir da imprensa e de impressos do século XIX, os discursos, práticas e projetos educativos em circulação no Brasil oitocentista, considerando diferentes sujeitos e instituições, em Minas Gerais e São Paulo. O objetivo central desta Mesa é analisar como jornais e periódicos atuaram como espaços privilegiados de difusão, disputa e legitimação de propostas educativas voltadas à formação moral, intelectual e profissional da população oitocentista, em contextos marcados por processos de modernização, desigualdades sociais e de gênero e pela permanência da ordem escravocrata. Os trabalhos articulam referenciais da História da Educação, da História das Instituições Educativas, da História da Educação Profissional, da História das Mulheres e dos Estudos de Gênero, bem como aportes da História Social e da História Cultural, mobilizando o diálogo entre teoria e evidências empíricas a partir dos jornais, como fontes principais. As investigações utilizam metodologias próprias da pesquisa historiográfica, com análise da materialidade dos impressos, dos conteúdos discursivos e das condições de produção e circulação das fontes documentais concentradas, principalmente, na imprensa periódica do século XIX, incluindo jornais regionais mineiros vinculados à criação e ao funcionamento de Liceus de Artes e Ofícios no antigo Distrito Diamantino, e da Escola Normal de Barbacena; anúncios e matérias, veiculadas na imprensa paulista, sobre escolas destinadas à educação de meninas; e jornais acadêmicos produzidos por Clubes Estudantis da Faculdade de Direito de São Paulo. Esses impressos foram localizados em acervos como a Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, bibliotecas locais, arquivos institucionais e centros de documentação universitários. A periodização abrange, de modo articulado, as últimas décadas do século XIX, com recortes específicos entre as décadas de 1870 e 1890, momento de intensificação dos debates sobre instrução pública, educação feminina, formação profissional, moralização do trabalho, racismo científico e projetos de nação. Os resultados evidenciam que a imprensa funcionou como instrumento fundamental na divulgação e legitimação de modelos educativos alinhados a projetos políticos, sociais e culturais específicos. Os estudos mostram, tanto iniciativas governamentais quanto associativas e operárias, a presença de expectativas de gênero na educação feminina, e a circulação de repertórios racistas e eugenistas no ambiente acadêmico jurídico. Em conjunto, as pesquisas revelam a imprensa como espaço de disputa simbólica e de construção de representações sobre educação, trabalho, gênero e sobre a cidadania no Brasil oitocentista.

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Instituições
  • 1 Universidade do Estado de Minas Gerais; Fundação de Ensino de Contagem (Funec); UEMG, UFMG, UERJ e SMED/PBH
  • 2 Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
  • 3 Universidade de São Paulo
  • 4 Universidade Estadual de Santa Cruz
Eixo Temático
  • 3- Imprensa e impressos educacionais
Palavras-chave
Império brasileiro
Século XIX
História da Educação
Formação moral