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O objetivo é ampliar o debate sobre a historiografia da educação, na perspectiva plural de problematizar modos de contar e de escrever histórias de educações. A mesa se organiza nas abordagens da história cultural, da história decolonial e da temática da história dos intelectuais, com o propósito de desconstruir as universalidades. Em “História da Educação no diálogo com a história dos intelectuais”, analisa-se a produção científica brasileira sobre a temática e propõe possibilidades de se pensar outros recursos teóricos metodológicos, levando-se em consideração o processo histórico dos territórios brasileiros. Ou seja, no contexto de histórias estruturadas em projetos coloniais de dominação de grupos de distintas culturas, discute-se que a própria noção de “intelectual” se submete a um escrutínio diferenciado, quando confrontada com um campo de saberes que ultrapassa a definição marcada por sua origem francesa. O texto “História cultural, formação e saberes de padrinho Sebastiao, filósofo e educador da Amazonia”, resgata a história de Sebastião Mota de Melo (1920-1990) e o processo de sua formação. O estudo, fundamentado em Ginzburg, discute a trajetória de um líder popular, educado na tradição oral e sem vínculos com a escola formal, que desenvolveu várias habilidades e saberes nas tramas da vida cotidiana. Desse modo, apresenta críticas à tradição historiográfica brasileira, centrada em modelos escolares de educação, silenciando outras formas de viver, pensar e aprender. No trabalho “A cosmologia da serpente na prática educativa: por uma outra teoria e metodologia na história da educação na Amazônia” discute o protagonismo e a agência das populações tradicionais amazônicas na elaboração de múltiplas dinâmicas educativas, com foco no Marajó. Reflete criticamente sobre o modo como a instituição de modelos estrangeiros, nas margens da modernidade ocidental, silenciou a diversidade de histórias, saberes e fazeres outros que alimentaram a colonialidade do saber, do poder e do ser e foram por elas rejeitadas e desqualificadas. O estudo se faz com base na gnose decolonial e na arte da conversação de Mignolo (2003). Em “Histórias de Educações: inevitabilidade da escrita decolonial”, discute-se a contribuição dos debates sobre colonialidade/decolonialidade na historiografia da educação. A pesquisa problematiza as dimensões da colonialidade do poder, do saber e do ser presentes nos debates pedagógicos latino-americanos, ocorridos no século XIX, por educadores/políticos da Argentina, Brasil e Chile. Estes contribuíram para fixar uma geopolítica da educação que subalterniza e inferioriza as populações locais, e para consolidar a ideia de educação escolar como educação única, desqualificando outros modos de ensinar e de aprender variados saberes. Os textos seguem a metodologia da pesquisa histórica com investigação documental e diálogos teóricos e conceituais específicos.
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