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A temática central dos textos aborda a História Social da Infância no Brasil, examinando as tensões entre poder, raça, classe e visibilidade em distintos recortes temporais e regionais. As fontes demonstram que a infância não é um dado universal, mas uma construção social moldada por projetos estatais, desigualdades estruturais e representações midiáticas e materiais. O primeiro trabalho, Educação pré‑escolar no período militar: um estudo no Território do Amapá (1972–1980), analisa o controle estatal e a institucionalização da educação infantil durante o regime militar. Mostra como os jardins de infância foram instrumentalizados para disciplinamento e vigilância, impondo uma lógica autoritária que visava formar crianças segundo interesses de subordinação e controle do Estado. O segundo estudo, Panorama das iniciativas da infância negra na província de São Paulo (1871–1888), investiga a marginalização histórica no contexto da Lei do Ventre Livre. Revela que a criação legal de uma “nova categoria” de criança não assegurou cidadania efetiva; ao contrário, o período foi marcado por omissão institucional e invisibilização, com políticas educacionais e assistenciais estruturadas para preservar hierarquias raciais e negar a inclusão social de crianças negras. O terceiro trabalho, Racismo e branquitude na História Social da Infância do Brasil e da Amazônia (2019–2025), discute o racismo estrutural, a centralidade da branquitude e as formas contemporâneas de violência. Argumenta que regimes desiguais de visibilidade persistem: a mídia digital frequentemente fetichiza corpos brancos, enquanto crianças negras e indígenas, sobretudo na Amazônia, enfrentam necroinfância e negação de direitos básicos, evidenciando a insuficiência de políticas de proteção que não adotam uma perspectiva interseccional. O quarto estudo, A cultura material da infância paraense nas páginas da Revista A Semana (1919–1942), mostra como o periódico construiu uma infância idealizada para as classes abastadas. A documentação de roupas, brinquedos, festas e práticas educativas funciona como vitrine de status social, contrapondo‑se às realidades de exclusão analisadas nos demais trabalhos. Em conjunto, esses trabalhos revelam que a infância no Brasil tem sido um campo de disputa: o Estado e as elites definem quem merece proteção e visibilidade e quem deve ser disciplinado ou silenciado. Para compreender essa dinâmica, imagine a história da infância como um teatro de sombras: os refletores do Estado e da mídia iluminam os palcos da elite e do projeto nacional, enquanto as infâncias negras, pobres e periféricas permanecem nas sombras da negligência e da invisibilidade institucional.
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