História e uso dos objetos de ensino de geografia no século XX

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Resumo

O presente trabalho de doutorado está inserido na linha de pesquisa sobre a Educação dos Sentidos e Cultura Material Escolar, sob orientação do Prof. Kazumi Munakata, investiga a transição da geografia escolar de um modelo puramente "livresco" para um ensino dinâmico, empírico e sensorial. O foco central reside na análise de projetos, práticas e materialidades que compuseram a geografia escolar brasileira entre os séculos XIX e XX, especialmente sob a influência do movimento da Escola Nova. Tendo isso em vista, o objetivo deste trabalho é realizar uma análise acerca dos projetos, práticas e materialidades considerando o uso e a circulação dos objetos que compõem a geografia escolar considerando a Escola Nova e o uso de objetos como apoios para as aulas. Por meio de documentos encontrados é possível perceber mudanças nas aulas, indicando uma transição entre uma cultura escolar livresca para aulas consideradas dinâmicas e com conhecimentos aplicáveis e empíricos. O embasamento teórico utiliza o conceito de "experiência" em E. P. Thompson e Peter Gay para discutir a educação dos sentidos. A análise da disciplina e da cultura material é apoiada por Horácio Capel e Leôncio López-Ocón. Considerando isso, diante da infinidade de objetos que podem servir à geografia escolar, o foco não é estudá-los de modo apartado e individualmente, mas enquanto categoria de análise e buscando evidências destas hipóteses por meio do mapeamento do percurso destes objetos. Pensando neste objetivo, algumas perguntas preliminares emergem. Entre elas, quais eram os objetos de ensino de geografia em sala de aula e como eram utilizados? Havia orientações específicas para os professores? Quem os produzia e a quem se destinavam? De onde (ou de quem) vem a ideia de usá-los? Tendo isso em vista, o trabalho se justifica ao se considerar a geografia a partir da perspectiva de seu nascimento enquanto disciplina escolar para, posteriormente, se constituir enquanto campo acadêmico. Diferentemente das análises de transposição didática defendidas por Yves Chevallard, a geografia nasce do chão da escola para posteriormente compor os cursos de graduação e pós-graduação no Brasil. Para embasar esta ideia, alguns trabalhos analisam este aspecto (Rocha, 1996, Gomes, 2010 e 2016; Corrêa, 2015; entre outros) e a intenção é aprofundar estas análises. Levando em conta o exposto até aqui, o presente trabalho tem a aspiração de contribuir com o conhecimento nas áreas de educação dos sentidos, cultura material escolar, geografia e história das ciências. A intenção é a de abrir novos caminhos de análise dentro destes campos e da constituição da geografia escolar como disciplina científica. 

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Instituições
  • 1 Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Eixo Temático
  • 6- Disciplinas escolares e ensino de história da educação
Palavras-chave
Educação dos Sentidos
Cultura Material Escolar
Geografia
História das Ciências
Escola Nova