HISTÓRIA DE VIDA, FORMAÇÃO DOCENTE E O EU SINGULAR/PLURAL ENTRE NARRATIVA E ACONTECIMENTO

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Resumo

Nas últimas décadas, as ciências humanas e sociais têm sido atravessadas por críticas consistentes às metanarrativas da ciência moderna, especialmente àquelas fundamentadas na linearidade histórica, na neutralidade científica e na separação rígida entre sujeito e objeto. Esses questionamentos impulsionaram deslocamentos epistemológicos que reposicionam o ser humano no centro da análise científica, compreendendo-o não como uma substância livre e autônoma, mas como um espaço de enunciação constituído nas e pelas relações sociais. Nesse movimento, a narrativa assume um papel fundamental na compreensão da temporalidade, da formação e do sujeito ontológico. Longe de ser um relato fixo ou definitivo, a narrativa é compreendida como uma construção dinâmica, situada no presente da enunciação, constantemente reconfigurada à medida que novas experiências são vividas e ressignificadas. Delory-Momberger (2006) enfatiza que a narrativa constitui uma síntese provisória da identidade histórica do sujeito, articulando memória, experiência e interpretação. Ao narrar sua trajetória, o sujeito organiza acontecimentos descontínuos, produz coerência e atribui sentidos à própria existência. Dessa forma, a narrativa não reflete uma realidade objetiva previamente dada, mas constrói uma realidade culturalmente ordenada, na qual o sujeito define sua posição no mundo e na história. Como afirma Delory-Momberger (2006). A partir dessa concepção, procura-se problematizar o lugar do acontecimento na escrita da história da educação para compreendê-la como um campo em que os acontecimentos são constantemente ressignificados, revelando disputas de sentidos, memórias e projetos de sociedade. O acontecimento, nessa perspectiva, não é apenas um marco cronológico, mas um elemento interpretativo que ganha significado no interior das narrativas construídas pelos sujeitos e grupos sociais. O texto propõe que a narrativa reaproxima a escrita da história da educação do acontecimento ao reconhecer o ser humano como agente interpretativo que constrói realidades, forma-se e elabora identidades ao longo de suas trajetórias. Ao articular narrativa, formação e acontecimento, defende-se uma concepção de história da educação sensível à temporalidade, à subjetividade e às relações sociais, contribuindo para a superação de modelos explicativos estáticos e substancialistas. Dessa forma, o trabalho busca colaborar com o debate epistemológico contemporâneo, reafirmando a narrativa como uma via potente para compreender a complexidade da experiência humana e dos processos educativos.

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Instituições
  • 1 Instituto Federal de Educação, Instituto Federal do Amazonas
Eixo Temático
  • 4- Formação e profissão docente
Palavras-chave
Escrita da História da Educação
Indivíduo
Pesquisa (auto)biográfica