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Vivemos em tempos marcados pela intensa circulação de narrativas sobre o passado nas mídias digitais, e a História da Educação tem se inserido nesse contexto, explorando novos espaços para a produção e a difusão do conhecimento histórico. Este trabalho tem como objetivo problematizar o uso das plataformas digitais, especialmente o YouTube, como espaço de preservação e divulgação do patrimônio educativo, compreendendo-o como um meio de articulação entre pesquisa, ensino e extensão, sob a perspectiva da História Pública. A proposta ancora-se teoricamente em Albieri (2011) e Zahavi (2011), que defendem o reconhecimento de múltiplas formas de publicação histórica, e em Nagumo, Teles e Silva (2020), ao discutir as potencialidades e contradições do uso educacional do YouTube. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza exploratória, baseada em fontes digitais e audiovisuais, especialmente no canal Memórias e Histórias da Educação, criado em 2022. O canal, não monetizado, está estruturado em duas playlists: Antigos Grupos Escolares de Santa Catarina e Lugares de Memória, Instituições Educativas e Acervos da Educação, totalizando dez vídeos produzidos entre 2022 e 2024. As narrativas audiovisuais contemplam escolas históricas como o Grupo Escolar Hercílio Luz (Tubarão/SC) e o Grupo Escolar Victor Meirelles (Itajaí/SC), além de experiências museológicas e de memória em instituições do Brasil, Portugal, Espanha e Uruguai. A periodização do estudo compreende o intervalo entre 2022 e 2025, momento em que o canal se consolidou como espaço de mediação entre o conhecimento acadêmico e o público geral. Os resultados indicam que iniciativas dessa natureza ampliam as possibilidades de socialização do conhecimento histórico e estimulam o engajamento de diferentes públicos na valorização da história e da cultura escolar. Contudo, também revelam desafios inerentes à era digital, como a dependência de infraestrutura tecnológica, os riscos de desinformação e a lógica algorítmica que condiciona a visibilidade dos conteúdos. Conclui-se que o uso do YouTube como instrumento de divulgação científica representa uma via legítima de atuação no campo da História Pública, ao permitir o compartilhamento de narrativas históricas em múltiplos formatos e linguagens. A experiência do canal Memórias e Histórias da Educação evidencia o potencial das plataformas digitais na preservação e difusão do patrimônio educativo, contribuindo para a formação de uma consciência histórica ampliada e para o fortalecimento da história da educação como campo de conhecimento sensível à contemporaneidade. Assim, argumenta-se que as plataformas digitais, quando apropriadas criticamente, podem fortalecer o diálogo entre academia e sociedade, ampliar a visibilidade do patrimônio histórico educativo e estimular novas investigações no campo da História da Educação.
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