FONTES PARA O ESTUDO DA MEMÓRIA UNIVERSITÁRIA E DA FORMAÇÃO INTELECTUAL E MORAL DA PESSOA NO SÉCULO XIII. UM DOCUMENTO E UM ESCRITO

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Resumo

Nessa exposição, recuperaremos a memória e a história da Universidade de Sorbonne por meio da análise de duas fontes, o ‘Primitivos estatutos da escola de Sorbonne’, contido no Chartularium Universitatis Parisienses (Denifle, 1964) e a Questão 1, das Questões Disputadas sobre a Virtude (2012), de Tomás de Aquino (1224/25 – 1274). A análise do estatuto e do escrito tomasiano tem por objetivo refletir sobre a universidade e o professor como instâncias fundamentais à sociedade. Ambos escritos nos permitem compreender como se encontravam sistematizados o ensino e o cotidiano da ’Casa’, lembrando que, ao adentrarem-se nessa casa de ensino, ela se tornava o lar dos estudantes e dos professores. Tanto para o professor como para o discente, a universidade expressava uma mudança radical no seu modo de viver, tanto no âmbito do conhecimento como em relação ao seu comportamento. Essas mudanças patenteiam-se nos dois documentos que analisaremos. O Estatuto compõe-se de vinte e oito tópicos que tratam desde a limpeza até multa para perda de livros, dentre outros pontos. Possui um preâmbulo em que estão expostos os princípios gerais que devem reger a vida dos que habitam a ‘Casa’. Os preceitos nos lembram a Regra de Bento de Núrsia (480-547), suscitando-nos a hipótese de que o Estatuto pode ter sido elaborado a partir de um modelo que esteve presente no Ocidente desde o século VI, para regulara a vida no mosteiro. O escrito de Tomás de Aquino segue os princípios da filosofia escolástica: apresenta-se primeiro uma sentença; em seguida, expõem-se os argumentos favoráveis a ela, depois os desfavoráveis e, por fim, o entendimento do autor acerca da temática. Nelas, o mestre dominicano trata da formação moral e intelectual da pessoa. Nessa questão, ele discorre sobre a natureza da virtude e, como usual em seus escritos, pauta-se nas autoridades sagradas e em Aristóteles para defender a ideia de que, para se viver na cidade e na ‘Casa’, é imprescindível que as ações das pessoas sejam virtuosas. Do seu ponto de vista, a prática da virtude é algo que precisa ser ensinado e aprendido, por meio da aprendizagem, ela se torna um hábito. É o conhecimento, portanto, que possibilita a vida comum com urbanidade. Apresentados nosso objetivo,
fontes, hipóteses e problema, ressaltamos que caminhamos pela história social, seguindo os conceitos de longa duração (Braudel, 1997) e fundo permanente (Bloch, 2001), pois, os princípios teóricos e conceituais nos permitem retomar a Universidade Medieval como fundamental para a história da educação, pois a universidade e o professor são figuras produzidas historicamente.

Referências

BLOCH, M. Apologia da história, ou ofício do historiador. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

BRAUDEL, F. Escritos sobre a história. São Paulo: Perspectiva, 1997
DENIFLE, H. (Org.). Chartularium Universitatis Parisiensis. Bruxelles: Culture et
Civilisation, 1964. 2 t.
TOMAS DE AQUINO. Questões Disputadas sobre a Virtude. Campinas: Ecclesiae, 2012.
 

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Instituições
  • 1 Universidade Estadual de Maringá; Instituto Federal do Paraná
  • 2 Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná
Eixo Temático
  • 1- Políticas e instituições educativas
Palavras-chave
Universidade Medieval
Memória
Tomás de Aquino
Estatuto de Sorbonne