Entre o Currículo e o cotidiano: O Ensino de Sociologia e os Processos Educativos Comunitários em Escolas Rurais do Amapá

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Resumo

O trabalho discute o papel da escola em diálogo com os processos educativos presentes na vida cotidiana de comunidades do Amapá. A pesquisa parte da compreensão de que, em contextos rurais amazônicos, estudantes aprendem não apenas pela escola, mas também pelos saberes transmitidos. Por meio de uma investigação qualitativa, envolvendo relatos de estudantes, o estudo analisou como esses saberes comunitários influenciam a construção de conceitos sociológicos sobre trabalho, identidade, território e organização social. Os resultados indicam que, quando a escola reconhece e incorpora os saberes não escolares torna o ensino mais significativo. Em contrapartida, a desvalorização desses saberes gera distanciamento e desinteresse dos estudantes rurais. Além disso, o diálogo entre escola e comunidade e ensino possibilita a problematização das hierarquias de saber historicamente estabelecidas pelo currículo escolar, que tendem a privilegiar conhecimentos eurocentrados e urbanos em detrimento das experiências locais. Ao reconhecer os saberes produzidos nos territórios rurais amazônicos como conhecimentos legítimos, a escola contribui para a valorização das identidades, fortalecendo o sentimento de pertencimento dos estudantes e ampliando suas possibilidades de leitura crítica da realidade social. Essa perspectiva favorece a construção de uma Sociologia escolar comprometida com a diversidade cultural, ao reconhecer múltiplas formas de produzir e transmitir conhecimento. Nesse sentido, o ensino de Sociologia pode se constituir como espaço privilegiado para articular conceitos teóricos clássicos e contemporâneos com as experiências vividas pelos estudantes em seus contextos comunitários. Temas como divisão social do trabalho, relações de poder, solidariedade, desigualdades sociais e conflitos territoriais tornam-se mais compreensíveis quando analisados a partir das práticas cotidianas, como os mutirões agrícolas, as formas de organização comunitária e as estratégias coletivas de enfrentamento às dificuldades impostas pelas condições socioeconômicas e ambientais da região. Essa articulação contribui para superar abordagens abstratas e descontextualizadas, promovendo aprendizagens mais críticas e socialmente situadas. Por fim, a incorporação dos processos educativos presentes na vida cotidiana das comunidades do Amapá demanda também uma postura pedagógica sensível por parte dos docentes, que reconheça os estudantes como sujeitos produtores de conhecimento. Tal postura implica repensar metodologias, práticas avaliativas e materiais didáticos, de modo a incluir narrativas orais, memórias familiares e práticas comunitárias como recursos pedagógicos legítimos. Dessa forma, o ensino de Sociologia passa a cumprir um papel estratégico na formação de sujeitos críticos, capazes de compreender as dinâmicas sociais de seus territórios e de atuar de maneira consciente na transformação de suas realidades.

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Instituições
  • 1 UNIFAP
  • 2 UNIFAP; UNIFAP
Eixo Temático
  • 11- Processos educativos e práticas de sociabilidade não-escolares
Palavras-chave
Currículo
Ensino
Saberes