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A Educação das Relações Étnico-Raciais no Brasil tem sido impulsionada por práticas pedagógicas e pesquisas que destacam a centralidade da história e da cultura afro-brasileira no currículo escolar, particularmente no processo de implementação da Lei nº 10.639/2003. Observa-se que, em grande medida, essas práticas têm privilegiado a abordagem das religiões de matriz africana como dimensão fundamental para a valorização das heranças africanas e para o enfrentamento do racismo e do racismo religioso no espaço escolar. Dados do Censo Demográfico de 2022 indicam que, apesar da diversidade religiosa, o cristianismo permanece majoritário no Brasil, reunindo 56,7% de católicos e 26,9% de evangélicos, o que totaliza cerca de 83,6% da população autodeclarada cristã. Outras religiosidades, como umbanda e candomblé, somam aproximadamente 1%, pessoas sem religião representam 9,3% e outras tradições religiosas 4%, evidenciando um cenário de pluralidade religiosa que atravessa o cotidiano escolar.Ainda que a escola pública brasileira seja formalmente laica, ela é atravessada por sujeitos historicamente situados, cujas crenças, valores e referências culturais influenciam práticas pedagógicas, escolhas curriculares e silêncios institucionais (Candau, 2011; Apple, 2006; Gomes, 2017). Estudos recentes sobre educação antirracista no contexto escolar privado, como a dissertação de Nascimento (2025), evidenciam desafios e lacunas na construção de práticas curriculares que efetivem a Lei nº 10.639/2003, especialmente em instituições confessionais, onde a pluralidade religiosa tende a ser pouco explorada no debate pedagógico.O objetivo deste artigo é apresentar possibilidades de práticas pedagógicas antirracistas complementares no contexto das escolas confessionais cristãs, articulando aportes teóricos sobre pluralidade religiosa, currículo e história do cristianismo no continente africano, de modo a provocar docentes de matriz cristã a ampliar sua corresponsabilidade na implementação da Lei nº 10.639/2003. Trata-se de um estudo teórico-bibliográfico, fundamentado na História da Educação, na Educação das Relações Étnico-Raciais, na História da África e nos Estudos Religiosos, em diálogo com dados estatísticos do IBGE.Os resultados indicam baixa participação desses educadores na construção de propostas antirracistas sistemáticas, apesar do potencial pedagógico existente na própria história do cristianismo, cuja presença no continente africano remonta ao século I, em tradições como a copta, a núbia e a axumita, anteriores à colonização europeia. Conclui-se que o reconhecimento da pluralidade religiosa e a historicização do cristianismo não colonial podem ampliar repertórios pedagógicos e fortalecer práticas pedagógicas situadas entre o axé e o amém, comprometidas com a equidade racial, a justiça histórica e a formação integral dos sujeitos.
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