Educação, sensibilidade e visualidade: o olhar de Guimarães, Henschel e Pacheco sobre o império no acervo do Nhempe

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Resumo

O presente trabalho analisa a potencialidade da fotografia como fonte e objeto para a História da Educação, a partir do acervo do Núcleo de Pesquisa História e Memória das Políticas Educacionais no Território Fluminense (Nemphe). O foco recai sobre a produção de três fotógrafos de origem estrangeira que atuaram no Brasil Imperial: José Ferreira Guimarães, Alberto Henschel e Insley Pacheco. Os objetivos buscam analisar como a produção fotográfica de Guimarães, Henschel e Pacheco contribui para a compreensão dos processos civilizadores e educativos do Segundo Reinado; identificar, nas fotografias, elementos da cultura escolar e/ou da educação não-formal, além de, refletir sobre o papel do arquivo do Nhempe na preservação da memória educativa do território fluminense. A pesquisa ancora-se na concepção de fotografia como testemunho-artefato, conforme proposto por Kossoy (2014;2016), compreendendo que a imagem não é um reflexo neutro do real, mas uma construção dotada de intenções. No campo da História e da História da Educação, dialogamos com autores como Mauad (2004), Assnann (2011) Souza (2022) e Vasconcelos (2025), que discutem a visualidade, sensibilidade educação como dimensões da formação humana. A análise considera a fotografia como parte de uma pedagogia do olhar, que educava a sociedade imperial sobre os padrões de modernidade e progresso. A metodologia consiste na análise iconográfica, cruzando as informações visuais com dados contextuais dos fotógrafos: Guimarães: português, destacou-se pela documentação de tipos sociais e paisagens urbanas que evidenciam o ordenamento do espaço educativo da cidade. Henschel: alemão, cuja vasta produção de retratos permite problematizar as hierarquias sociais e a educação dos corpos na escravidão. Pacheco: português e fotógrafo da Casa Imperial, pioneiro no uso de ampliações e retoques, cujos retratos da elite fluminense educavam para a distinção social e o prestígio acadêmico/político. Os resultados parciais indicam que o acervo, ao reunir fotografias desses autores, permite mapear a circulação de modelos europeus de comportamento e instrução no Rio de Janeiro e arredores. Observa-se que a fotografia operava como um instrumento de autoeducação da elite, que se via "civilizada" através das lentes de Pacheco e Henschel. Por outro lado, a presença dessas imagens em um núcleo de pesquisa voltado ao território fluminense possibilita reconstruir a história das instituições educacionais e das redes de sociabilidade que financiavam e consumiam essa tecnologia visual. A investigação reafirma a importância dos arquivos d o Nhempe, na salvaguarda de fontes que extrapolam o documento escrito tradicional. As fotografias não são apenas registros estéticos; são documentos pedagógicos que informam sobre quem era educado, como se portava e quais valores eram imortalizados pela luz. A pesquisa teve financiamento da FINEP e CAPES, fomentando a catalogação e apresentação do acervo, produzindo fontes na história da educação.

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Instituições
  • 1 Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • 2 Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Eixo Temático
  • 7- Patrimônio Educativo, Arquivos e Acervos
Palavras-chave
Nhempe
Fotógrafos imperiais
Alberto Henschel
Insley Pacheco
José Ferreira Guimarães