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Reunindo pesquisadoras de diferentes instituições, esta comunicação coordenada propõe avançar na reflexão sobre o papel formativo dos impressos não especificamente pedagógicos no campo da História da Educação. O ponto de partida é um conjunto de questões que permanecem atuais e desafiadoras para o campo: como e por que os impressos não pedagógicos educam? Qual a relevância, ainda hoje, de discutir a educação das pessoas via impressos? Em que pontos podemos avançar em relação ao que já foi produzido e com quem dialogamos ao fazê-lo? A sessão reunirá investigações que tomam diferentes artefatos, como jornais, revistas, livros infantis e obras de divulgação científica, como fontes privilegiadas para compreender modos de educar sensibilidades, afetos e comportamentos. Nessa perspectiva, interessa menos identificar “mensagens pedagógicas” explícitas e mais explorar as sutilezas e contradições disseminadas por narrativas, imagens, colunas, conselhos e ficções. A proposta busca também enfrentar desafios teórico-metodológicos implicados na análise dessas fontes: como trabalhar com perspectivas interseccionais sem reduzir a complexidade dos discursos? Como lidar com ambiguidades, tensões e silêncios próprios dos vestígios impressos, considerando suas materialidades, mediações e públicos diversos? Ao articular diferentes temporalidades e objetos, pretende-se evidenciar o papel dos impressos como dispositivos de formação cultural, capazes de produzir e fazer circular pedagogias sociais que extrapolam a escola e conformam modos de sentir e agir. Trata-se, em última instância, de reafirmar a vitalidade de uma História da Educação aberta às dimensões culturais, às práticas editoriais e às múltiplas formas de aprender no tecido social. As comunicações que compõem a sessão materializam essa proposta. Raquel Discini de Campos analisa dois livros da Biblioteca Infantil d’O Tico-Tico — Contos da Mãe Preta (1932) e Histórias de Pae João (1933?) — escritos por Osvaldo Orico e ilustrados por Luiz Sá, discutindo sua participação na consolidação de um mercado editorial voltado à infância. Kenia Moreira problematiza as colunas femininas de Helena Sangirardi publicadas em O Cruzeiro (1944–1956), explorando suas aparentes contradições. Ana Galvão discute a construção do analfabetismo como problema social nos impressos de grande circulação no Brasil do século XIX, enquanto Mônica Yumi Jinzenji e Raquel Cabral de Sousa Lucas analisam o imbricamento entre discursos morais e científicos na defesa de uma educação sexual racional e higiênica, a partir das obras Sexo e cultura (1933), de Júlio Pires Porto-Carrero, Amor e Casamento (1929) e Procreação racional (1929), de Marie Charlotte Carmichael Stopes. Em conjunto, as quatro investigações reafirmam a potência heurística dos impressos como objetos privilegiados para compreender práticas culturais que educam para além da escola.
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