EDUCAÇÃO, GÊNERO E DESIGUALDADE: DISCURSOS E REPRESENTAÇÕES NO BRASIL (1900-1950)

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Comunicações Coordenadas
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Resumo

A comunicação coordenada propõe um espaço de interlocução sobre as formas históricas de educação das mulheres e de produção das desigualdades de gênero no Brasil, entre as primeiras décadas do século XX e os anos 1950. Busca problematizar interpretações eurocêntricas persistentes na história da educação e ampliar a compreensão dos processos educativos para além do âmbito escolar, mobilizando referenciais da história das mulheres e dos estudos decoloniais. Analisa experiências e representações envolvendo sujeitos historicamente subalternizados, examinando como dinâmicas formativas constituíram feminilidades e sustentaram hierarquias de gênero articuladas à classe e à raça. Os trabalhos abordam contextos e suportes diversos. Em “Sociedade Feminina de Puericultura: mulheres, filantropia e desigualdades”, estudam-se práticas assistenciais conduzidas por mulheres da elite paulista desde 1905, mostrando como a filantropia serviu como dispositivo educativo que difundia normas de gênero e naturalizava hierarquias sociais, raciais e morais entre benfeitoras, trabalhadoras e mães atendidas. Em “A Revista Feminina: decolonialidade, estética e educação das mulheres no Brasil (início do século XX)”, discute-se como formulações morais e estéticas veiculadas pelo periódico atuaram na formação de mulheres brancas urbanas na Primeira República. Em “As mulheres no romance Capitães da Areia de Jorge Amado”, destaca-se a socialização marcada pela pobreza e pela exclusão, explicitando como a ficção expõe infâncias femininas vulnerabilizadas por violência e desigualdade histórica. Já em “Colonialidade de gênero e branquitude: a feminilidade como projeto pedagógico na revista It (Belo Horizonte, 1953)”, investiga-se a imprensa feminina como dispositivo de racialização e prescrição da feminilidade branca, vinculada à cultura de consumo e a padrões eurocêntricos de beleza e conduta. Embora tratem de objetos e períodos distintos, as análises convergem ao indicar que a educação se configurou como campo de normatização de comportamentos e de produção de subjetividades femininas, operando por meio de enunciados, imagens, modelos corporais e expectativas morais. As pesquisas fundamentam-se em métodos historiográficos, privilegiando a análise crítica de fontes documentais, impressas e literárias, considerando discursos e imagens como expressões de ações educativas e de constituição identitária. Coletivamente, os resultados apontam que normas corporais e morais e representações ficcionais naturalizaram papéis de gênero, legitimaram desigualdades e inseriram as mulheres em projetos de nação permeados pela colonialidade, pela distinção de classe e pela branquitude. Ao reunir perspectivas diversas sobre processos formativos, discursos e representações, a proposta evidencia como a educação participou da construção histórica das diferenças e hierarquias no Brasil republicano, tensionando tradições eurocêntricas ainda presentes na historiografia da educação.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Universidade Federal de Minas Gerais
  • 2 Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
  • 3 Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG)
  • 4 Universidade de São Paulo
Eixo Temático
  • 5- Educação e interseccionalidade: raça, etnias, gênero e gerações
Palavras-chave
História da educação
Gênero
Desigualdade
Raça
Classe social