CRIANÇAS E ADOLESCENTES DA AMAZÔNIA BRASILEIRA EM CONTEXTO PANDÊMICO: A VIDA E AS (RE)EXISTÊNCIAS INFANTIS AMAZÔNIDAS EM TEMPOS DA COVID-19 E OS IMPACTOS PARA A EDUCAÇÃO

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Resumo

O presente texto apresenta reflexões sobre a pandemia da COVID-19 e seus impactos para a vida de crianças e adolescentes, tendo como lócus a Amazônia brasileira, com ênfase nos estados que compõem a Região Norte. A análise dialoga com a História da Infância, a História das Epidemias e os estudos críticos sobre racismo, branquitude, a fim de compreender como tais fenômenos historicamente aprofundam desigualdades sociais, raciais e territoriais já existentes. Inicialmente, abordam-se as históricas amarras de subalternização associadas às imagens e aos corpos das crianças, compreendidas a partir da noção de enfants, aquele a quem é negada a voz. Tal construção integra a lógica de formação do (a)sujeito colonial, fortalecida no interior do sistema capitalista, que produz hierarquias de geração e naturaliza a negação de direitos, especialmente às crianças racializadas e inferiorizadas. Em seguida, analisa-se como a racionalidade colonial e capitalista forja hierarquias sociais, étnico-raciais, de gênero e territoriais, convertendo a vivência da infância em privilégio para poucos. A Amazônia é historicamente tomada como território de exploração, retirando-lhe, inclusive, suas cosmologias e negando o bem viver ancestral dos povos tradicionais e originários, compreendendo-a tão somente como repositório de recursos naturais e de mão de obra descartável, ao mesmo tempo em que seus saberes e recursos naturais são apropriados. No contexto pandêmico, esses elementos estruturais tornaram-se ainda mais evidentes. Questiona-se: quais foram os impactos desse quadro histórico e pandêmico para as infâncias amazônidas? Os dados e registros indicam que crianças e adolescentes amazônidas vivenciaram de forma mais intensa os impactos da COVID-19, seja pela precariedade do acesso à saúde, pela descontinuidade das políticas de proteção, pelo agravamento das desigualdades territoriais ou pela intensificação de violações de direitos. Tais rebatimentos evidenciam os desafios impostos pelo território à efetivação de políticas públicas voltadas à infância, sobretudo aquelas localizadas em territórios afastados e ribeirinhos, exigindo novas estratégias de trabalho para profissionais da saúde e da educação. Este estudo é de caráter exploratório e recorre a levantamento bibliográfico e documental, a fim de observar e indicar as estruturas disponíveis e as fragilidades para o enfrentamento de pandemias na Região Norte, bem como os impactos desse cenário nos dados sobre violações sofridas por crianças e adolescentes. Assim, a pandemia não inaugura as violações, mas as intensifica, expondo de forma aguda as desigualdades sociais, étnico-raciais e territoriais que atravessam a Amazônia. 

 

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Instituições
  • 1 Docente - Programa de Pós-Graduação em Sociobiodiversidade e Educação e da Faculdade de Serviço Social - Universidade Federal do Pará/Campus Universitário Marajó - Breves
  • 2 Programa de Pós-graduação em Sociobiodiversidade e Educação da Universidade Federal do Pará
Eixo Temático
  • 5- Educação e interseccionalidade: raça, etnias, gênero e gerações
Palavras-chave
Racismo e Branquitude
Capitalismo Colonial e Racial
Extrativismo e Racismo Epistêmico