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As escolas técnicas agrícolas do Estado de São Paulo desempenham, historicamente, papel estratégico na formação profissional voltada ao setor agropecuário, articulando ensino, trabalho e desenvolvimento regional. No início da década de 1990, em um contexto marcado por transformações econômicas, produtivas e sociais, intensificaram-se as discussões sobre a necessidade de modelos formativos que superassem a fragmentação entre teoria e prática. Nesse cenário, emergiram experiências de cooperativas-escolas como instrumentos pedagógicos voltados à vivência do trabalho coletivo, da gestão democrática e da aplicação prática dos conhecimentos técnicos adquiridos em sala de aula. O Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, autarquia vinculada à Secretaria da Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, administra atualmente 228 Escolas Técnicas Estaduais (Etec’s) e 76 Faculdades de Tecnologia (Fatecs), sendo 34 Etec’s classificadas como agrícolas. Desde 1994, essas unidades passaram a incorporar, de forma sistematizada, o modelo de cooperativa-escola, especialmente como estratégia pedagógica nas atividades produtivas e nos projetos formativos desenvolvidos junto aos estudantes. Este artigo propõe discutir o processo de implantação das cooperativas-escolas nas Etec’s, analisando essas experiências na formação profissional dos estudantes e na articulação entre teoria e prática. Busca-se compreender como a cooperativa-escola se consolidou, ao longo das duas décadas subsequentes à sua implementação, como metodologia pedagógica solidificada, capaz de integrar saberes técnicos, científicos, sociais e éticos no processo educativo. A pesquisa insere-se no eixo temático da Educação Profissional e caracteriza-se como qualitativa, de natureza descritiva e exploratória. O percurso metodológico contempla a pesquisa bibliográfica, fundamentada em estudos sobre cooperativismo, associativismo e práticas pedagógicas no contexto escolar, bem como a pesquisa documental, com análise de estatutos de cooperativas-escolas, atas de reuniões e demais registros institucionais. A fundamentação teórica ancora-se nos princípios da educação formativa, compreendendo a cooperativa-escola como instrumento pedagógico que ultrapassa a dimensão econômica e contribui para a formação humana integral (Schneider, 1999). Dialoga ainda com Frigotto (2001), ao defender que a relação entre educação e trabalho deve superar uma perspectiva meramente instrumental, e com Saviani (2008), que destaca a importância da apropriação crítica do conhecimento historicamente produzido. Complementarmente, Ciavatta (2005) reforça a noção de formação integrada, articulando trabalho, ciência, cultura e tecnologia. Nesse sentido, a cooperativa-escola constitui-se como espaço privilegiado de aprendizagem coletiva e reflexiva, possibilitando aos estudantes compreenderem o trabalho em todas as suas dimensões.
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