Brasil e França na elaboração de documentos curriculares na década de 1990

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Resumo

Este trabalho tem como objetivo analisar a produção de documentos curriculares de matemática no Brasil e na França na década de 1990.  Foram mobilizados estudos brasileiros e franceses na compreensão da pesquisa história, o papel do historiador, o trabalho em arquivos e o uso das fontes. O quadro teórico articula os trabalhos de Hofstetter e Schneuwly sobre a noção de expert e a produção de saberes; e estudos de Bourdieu sobre a noção de campos e agente. Foram considerados, no contexto brasileiro, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de Matemática para o ensino fundamental, e para a França, o Programa de matemática da classe de troisième para o colégio, ambos para estudantes com idades entre 14 e 15 anos. Os documentos curriculaires foram tomados como “caixas-pretas”(Latour, 2000), atravessados por tensões entre diferentes campos, e considerados como monumentos a serem inquiridos antes de se tornarem documentos (Le Goff, 1990). A análise inclui também a legislação em vigor em cada país da época, projeto inicial, cartas, relatórios, os resultados das reuniões e outros documentos envolvidos nos “bastidores” da elaboração. Na década de 1990 o Brasil e a França produziram novos referenciais curriculares. Os PCN de Matemática foram elaborados no Ministério da Educação por equipes de coordenação com experts responsáveis pela redação, apoiados por assessores e consultores e submetidos a ampla consulta nacional com pareceristas individuais e institucionais; as versões circularam em rascunhos, sínteses e revisões até a publicação. As tensões mais recorrentes envolveram a Resolução de Problemas, o lugar da História da Matemática, a viabilidade das tecnologias, questões envolvendo frações/números racionais; formação docente e condições de implementação (materiais, infraestrutura), dentre outras. O Programme de la classe de troisième de Mathématiques na França foi produzido sob coordenação do Conselho Nacional de Programa (nível científico) e da DESCO (nível administrativo), com redação a cargo do GTD de Mathématiques; a elaboração envolveu projeto submetido à consulta nacional, com retorno pareceres e sínteses das academias, cartas de convocação e reuniões técnicas, seguidas de revisões e intervenções institucionais. As tensões mais recorrentes envolveram a densidade de conteúdos ao tempo escolar, disputaram a presença de vetores/transformações geométricas, solicitação de clareza sobre competências e problematizaram TIC, equipamentos e formação docente. A comparação entre o processo de elaboração dos documentos curriculares evidência que os currículos dos anos 1990 foram negociados, os quais resultam de disputas entre Estado, campos disciplinares e profissional da docência, mediadas pelos experts que sistematizam os saberes oriundos das disputas. Apesar de trajetórias de elaboração diferentes, os dois documentos apresentam tensões convergentes: densidade de conteúdos/tempo, lugar das competências, inclusão de tópicos, TIC e formação docente.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Eixo Temático
  • 6- Disciplinas escolares e ensino de história da educação
Palavras-chave
História da educação matemática
Parâmetros Curriculares Nacionais
Programme de la classe de troisième de Mathématiques
Expert
Documentos curriculares