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A comunicação propõe uma reflexão sobre a biblioteca como fonte para a História da Educação a partir da atuação de Anísio Teixeira como administrador da educação. Dialoga com a abordagem da História cultural na qual as representações, práticas e apropriações são analisadas. A escolha do título deste resumo expressa o nosso interesse pelas iniciativas deste intelectual para a criação e a expansão de diversos tipos de bibliotecas no Brasil. A busca pelo título deste trabalho no Google nos remete a uma palestra ministrada pela bibliotecária Esmeralda Aragão durante as celebrações do centenário de Anísio Teixeira, na Bahia. A palavra “biblioteca” é frequente nos textos de Anísio Teixeira e aparece associada à ideia de lugar de cultura. Atualmente, é possível dizer que o acesso à cultura, de outros presentes, se materializa por meio de documentos digitalizados ou impressos que encontramos nos arquivos, nas bibliotecas e também nos museus, que nos aproximam do sonho da biblioteca universal ou, nas palavras de Chartier (1998), de uma biblioteca sem muros e, também, na abordagem da história digital (Brasil; Nascimento, 2020). Numa incursão no Arquivo Anísio Teixeira, disponível no CPDOC/FGV, com a palavra “biblioteca” recuperam-se 243 ocorrências na série documental correspondências, ciente de que este número não reflete a totalidade das ocorrências. Os resultados revelam a correspondência entre Anísio e Armando de Campos na década de 1930 quando foi criada a Biblioteca Central de Educação. Outra recorrência são as cartas de Anísio Teixeira trocadas com Denise Fernandes Tavares, professora e bibliotecária, idealizadora da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato (BIML), inaugurada em 1948, em Salvador. Neste período, Anísio atuou como Secretário de Educação e Saúde do Estado da Bahia, onde, novamente, sugeriu a criação de uma biblioteca central de educação que funcionaria nos moldes do modelo carioca. Existem, ainda, duas cartas que traduzem a relevância atribuída por Anísio às bibliotecas. Dentre elas, destaca-se a carta enviada por Lourenço Filho, em 1932, que registra seu agradecimento a Anísio pela renúncia às vantagens pecuniárias em favor da Biblioteca do Instituto de Educação, no período em que este acumulava as funções de diretor da Instrução Pública e de professor contratado. Talvez a correspondência mais preciosa localizada no Acervo Pessoal de Anísio Teixeira seja a de uma aluna (Maria Madalena Fagundes Lima) da Escola Nicarágua, no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, agradecendo a Anísio pelas doações de livros recebidos para a biblioteca da Escola em 1961, enquanto Anísio estava como Diretor do INEP e, dentre as atribuições do CBPE, havia a distribuição de livros para bibliotecas escolares. Tais iniciativas mencionadas em diferentes presentes da trajetória de Anísio Teixeira evidenciam o lugar que as bibliotecas ocupam em seu projeto de criação de um sistema público de educação e justificam o desenvolvimento de pesquisas sobre o tema.
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