ALMA E CORAÇÃO: EDUCAÇÃO, IMPRESSOS PEDAGÓGICOS, ROMANCE E CONFORMAÇÃO MORAL NA PRIMEIRA REPÚBLICA NO PARÁ

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Resumo

O presente resumo aborda o Romance Alma e Coração, de Hygino Amanajás, considerando-o como objeto privilegiado para compreender as relações entre literatura, educação, impressos pedagógicos e projetos de conformação moral no Pará da Primeira República. O estudo tem como objetivo discutir em que medida a obra pode ser interpretada como romance de educação e/ou romance pedagógico, articulando essa classificação às dinâmicas de escolarização, circulação de impressos educacionais e hegemonia cultural no contexto republicano, no Pará da Primeira República. O referencial teórico mobiliza Mikhail Bakhtin, Georg Lukács e Antonio Gramsci. De Bakhtin, utilizam-se os conceitos de gêneros do discurso, dialogismo e hibridização genérica, fundamentais para compreender a presença, no romance, de cartas, diários, exortações morais, discursos escolares, evidenciando a permeabilidade entre gêneros literários e gêneros discursivos oriundos dos impressos educacionais. Em Lukács, o romance é tomado como forma histórica que expressa contradições sociais e projetos de formação do sujeito, permitindo compreender Alma e Coração como narrativa vinculada à construção de um ideal moral e cívico. Gramsci contribui com a noção de hegemonia, intelectual orgânico e função pedagógica da cultura, possibilitando analisar o romance e sua circulação como parte de um projeto educativo mais amplo, articulado à escola, à imprensa e à moral republicana. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa adota abordagem histórico-cultural, com análise textual e contextual da obra (Castanho 2010), considerando sua materialidade, seus gêneros constitutivos e sua inserção no circuito de impressos pedagógicos do período. As fontes incluem o romance, periódicos educacionais e textos normativos sobre instrução pública. A periodização concentra-se nas primeiras décadas da República (fins do século XIX e início do XX). Os resultados indicam que Alma e Coração opera como romance pedagógico de conformação moral, no qual a escolarização aparece como eixo central do processo formativo do personagem, articulando-se à imprensa pedagógica como espaço de difusão de valores. Conclui-se que, embora não corresponda plenamente ao modelo clássico do romance de formação, a obra revela uma concepção ampliada de formação, na qual escola, literatura e impressos educacionais atuam conjuntamente na produção de sujeitos ajustados ao projeto hegemônico republicano.

Referências

AMANAJÁS, Hygino. Alma e Coração. Belém: 2ª edição, Typ. da Imprensa Oficial, 1905.

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2011.

CASTANHO, Sérgio. Teoria da história e história da educação: por uma história cultural não culturalista. Campinas: Autores Associados, 2010.

GRAMSCI, A. Cadernos do cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

LUKÁCS, G. A teoria do romance: Um ensaio histórico filosófico sobre as formas da grande épica. São Paulo: Duas Cidades, ed. 34, 2000.

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Instituições
  • 1 UFPA - Universidade Federal do Pará; Universidade Federal do Pará; UFPA - Universidade Federal do Pará
  • 2 Universidade Federal do Pará
Eixo Temático
  • 3- Imprensa e impressos educacionais
Palavras-chave
Imprensa educacional
Romance de educação
Escolarização no Pará na Primeira República