“A VIDA ENSINAVA”: PROCESSOS EDUCATIVOS E SABERES RIBEIRINHOS A PARTIR DE CHÃO DOS LOBOS, DE DALCÍDIO JURANDIR

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Resumo

 

A presente comunicação propõe refletir sobre os processos educativos presentes na obra Chão dos Lobos, de Dalcídio Jurandir, buscando evidenciar as formas de educação não escolarizadas, vivenciadas pelas crianças ribeirinhas retratadas no romance, especialmente pelo personagem central, o adolescente Alfredo. Assim, tem-se como objetivo discutir as experiências do cotidiano que, articuladas às relações com o meio natural e social, constituem práticas formativas que extrapolam os limites da escola e revelam saberes que emergem da própria vida comunitária. Parte-se da concepção de educação como um processo ampliado, que incorpora os saberes do povo, reconhecendo o repertório de conhecimentos orgânicos, sensíveis e simbólicos presentes nas comunidades ribeirinhas. Tais etnoconhecimentos, frequentemente invisibilizados pelas práticas escolares tradicionais, evidenciam que a aprendizagem ocorre também nos rios, nos quintais, nas narrativas orais e nas práticas sociais que estruturam a existência amazônica. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem de natureza qualitativa com aproximações ao trabalho de natureza bibliográfico (Marconi e Lakatos, 2003), estruturado em três etapas: leitura integral da obra, com destaque para fragmentos que evidenciam práticas educativas vivenciadas pelos personagens em contextos não escolares; sistematização desses excertos à luz das reflexões que tratam dos processos formativos do cotidiano ribeirinho-amazônida; por fim, cruzamento das fontes ficcionais e teóricas, com destaque para os autores que valorizam os saberes populares, como por exemplo, Brandão (1986) quando enfatiza a relação entre educação e comunidade e Freire (1996), em seu destaque acerca da necessidade de ensinar contextualizando os ambientes geográficos, culturais e sociais dos educandos. Dentre os resultados, destaca-se que o fato de que a realidade ribeirinha é constituída por modos de vida próprios, profundamente marcados pela relação com o território, pelos costumes locais e pelos ciclos da natureza. A análise dos fragmentos literários acaba por revelar que a valorização desses elementos no processo educativo, somam para o fortalecimento da identidade cultural ribeirinha. Grande parte das vivências socioculturais do personagem Alfredo sobressaem a promoção de uma educação sensível (Favacho, 2018), certa resistência da cultura popular, com a vivacidade dos diferentes saberes na sociedade, na sala de aula (Simon, Giroux, 1994). Tais experiências, ao dialogarem de forma participativa com o currículo escolar, favorecem a interação entre escola e comunidade e destacam a centralidade dos conhecimentos tradicionais, como o saber-fazer artesanal, os cantos, as narrativas orais, as práticas de plantio e colheita e tantos outros saberes considerados essenciais no contexto educacional ribeirinho.

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Instituições
  • 1 Mestranda em Educação, Universidade Federal do Pará - UFPA
  • 2 UFPA - Universidade Federal do Pará (Docente do Quadro Efetivo - Organizador do Livro "Chão de Dalcídio: Perspectivas")
Eixo Temático
  • 11- Processos educativos e práticas de sociabilidade não-escolares
Palavras-chave
Processos educativos
Saberes Ribeirinhos
Dalcídio Jurandir