A prática escriturária docente no século XIX: análise do mapa de alunos da aula de primeiras letras da Vila de Poxim, Alagoas (1843)

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Resumo

Este artigo analisa o mapa de alunos da aula de primeiras letras da Vila de Poxim, datado de 18 de março de 1843, como fonte histórica para a compreensão das práticas escolares e dos processos de escolarização no interior da província de Alagoas ao longo do século XIX. Produzido pelo professor Manoel Corrêa Rapozo Júnior, o documento permite examinar dimensões centrais do funcionamento do ensino elementar no contexto do Brasil Imperial, tais como a organização da aula, os critérios de avaliação do desempenho discente, a composição das turmas e as condições de permanência dos alunos na escola, além localização da aula, nome do professor, alunos e pais, idade, naturalidade, conduta, dentre outros dados. Ressalte-se que os mapas escolares do século XIX constituem dispositivos dos governos provinciais, baseados em uma prática escriturária docente. Esses documentos serviam de comprovação do efetivo trabalho professoral, uma vez que o seu preenchimento era exigido para o recebimento do salário, e manutenção das próprias aulas, justificadas pela quantidade de estudantes em sala de aula (Vidal, 2008). O estudo insere-se no campo da História da Educação e dialoga com a perspectiva da cultura escolar, compreendendo os documentos escolares como vestígios das práticas pedagógicas, das normas institucionais e das representações sociais sobre a infância, o ensino e o papel do professor. Nesse sentido, apropria-se das discussões de Chervel (1990), que destaca o seu caráter sui generis; Julia (2001), que a compreende como conhecimentos a ensinar e condutas a inculcar; e de Viñao Frago (1995), que sublinha a importância sobre os espaços e tempos escolares. Metodologicamente, adota-se a análise documental de fonte primária, considerando o mapa de alunos não apenas em sua função administrativa, mas como um registro que expressa valores, expectativas e modos de organização do trabalho pedagógico no ensino elementar oitocentista. A análise evidencia que as práticas avaliativas eram marcadas por critérios subjetivos, nos quais a conduta moral, a disciplina e a assiduidade ocupavam lugar central no julgamento do desempenho dos alunos. Observa-se, ainda, a recorrência do registro de alunos que “Pouco frequenta”, indicando a instabilidade das trajetórias escolares no Dezenove, associada à inexistência da obrigatoriedade do ensino. Destaca-se também a presença de turmas não seriadas, característica recorrente do ensino elementar oitocentista. Conclui-se que o documento extrapola seu caráter administrativo e se constitui como fonte relevante para a compreensão da cultura escolar e para o debate historiográfico sobre a constituição da escola pública e os processos de escolarização no Brasil Imperial.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal de Alagoas; Universidade Federal de Pernambuco
Eixo Temático
  • 1- Políticas e instituições educativas
Palavras-chave
Mapas escolares
Primeiras letras
Poxim-Alagoas
Prática escriturária docente