A EDUCAÇÃO AUTÔNOMA COMO FATOR DE PROPULSÃO DA INTERSECCIONALIDADE E DA INTERSETORIALIDADE NO ZAPATISMO CONTEMPORÂNEO (MÉXICO)

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Resumo

Nesta comunicação apresentam-se resultados parciais de estudo bibliográfico e documental, cujo objetivo geral é analisar a questão da interseccionalidade e da intersetorialidade no Movimento Zapatista contemporâneo e suas implicações com a educação autônoma rebelde. Para isso, foram efetuadas análises e sistematização de aspectos relacionados direta ou indiretamente à temática desta investigação. As fontes foram documentos desse Movimento, analisados à luz de bibliografias atinentes de abordagens contra-hegemônicas, em especial de autores que se dedicam ao estudo do Zapatismo e temáticas envolvidas neste estudo. Devido às especificidades desta pesquisa, especialmente seus objetivos, não se aplica a delimitação temporal, considerando-se, dessa forma, diferentes momentos da história desse Movimento, fundado em 1983. Destacam-se, a seguir, principais aspectos dos resultados parciais. O Zapatismo, assim como outros movimentos sociais contra-hegemônicos, é constituído por grupos ou pessoas que apresentam características ou necessidades específicas e enfrentam condições adversas interseccionais. Aventa-se que, com a diversificação e a complexificação das atividades e demandas do Zapatismo, essas categorias tornam-se imprescindíveis, devido às condições étnico-culturais, biopsicossociais, socioeconômicas, entre outras características dos povos zapatistas. As interseccionalidades no Zapatismo envolvem fatores políticos, econômicos e culturais, imbricados inter e entre si, dentre eles, classe social, culturas, etnias, gerações, gêneros, línguas, nacionalidades. Para considerar as interseccionalidades inerentes ou presentes em seu interior, o Movimento precisa agir intersetorialmente. Exemplificam aspectos tanto das interseccionalidades quanto da intersetorialidade nesse Movimento as Leis Revolucionárias e as “demandas zapatistas”, que são: trabalho, terra, teto, alimentação, saúde, educação, independência, liberdade, democracia, justiça, paz, comunicação e cultura. A educação autônoma rebelde é estratégica nesse processo, pois contribui para a configuração das subjetividades, principalmente das novas gerações, com vistas a sensibilizá-las para a convivência e o respeito às diferenças, assim como para o combate às desigualdades, com vistas a um mundo muy otro, onde caibam muitos mundos, uma das consignas clássicas do Zapatismo. No entanto, a capacidade ou a potencialidade da educação rebelde está vinculada à articulação orgânica com as demais áreas da autonomia zapatista, o que remete à questão da intersetorialidade. Não obstantes os desafios e contradições, o Movimento Zapatista apropria-se de forma dialética e idiossincrática de princípios que transcendem e marcam a história de principais movimentos de trabalhadores desde o contexto da Revolução Industrial. Assim, configura-se como referência no empenho por avanços em pautas históricas das classes trabalhadoras, e a educação autônoma faz parte dessa história.

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Instituições
  • 1 Universidade Estadual do Maranhão (UEMA)
Eixo Temático
  • 10- Educação, movimentos sociais, etnias e gênero
Palavras-chave
Interseccionalidades
Intersetorialidade
Zapatistas
Educação autônoma rebelde