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Em comunidades, interações entre espécies formam redes, sendo o tipo mais fundamental de rede ecológica aquele que descreve conexões alimentares entre organismos. Um problema crucial é entender quais processos estruturam redes tróficas entre consumidores e recursos, sendo o tamanho do corpo dos predadores um importante fator que organiza a estrutura de redes ecológicas. Supondo que quanto maior o predador, maior amplitude de recursos consumidos, espera-se que redes tróficas apresentem padrão aninhado. Em contrapartida, cenários onde o consumo de recursos requer adaptações específicas, espera-se que grupos de predadores consumam conjuntos de presas distintos, formando interações com padrão modular. Neste trabalho caracterizamos a organização trófica de uma comunidade de serpentes amazônicas, avaliando o papel das diferentes espécies na estrutura da rede. Combinamos a caracterização da rede por métricas da teoria de redes com simulações de remoção de espécies. Nossos resultados indicaram que o tamanho de corpo está associado ao número de interações alimentares (R2=0.43; p<0.05). A rede composta por 62 espécies de serpentes e 23 recursos alimentares, apresentou estrutura aninhada (N=2.659, p<0.05) e modular (M=0.136; p<0.05). A combinação desses resultados indica que, além do tamanho de corpo, outros mecanismos podem ser responsáveis pela estrutura desta comunidade. Simulações de remoção de espécies indicaram que a estrutura aninhada é gerada pela presença de cinco espécies de grande tamanho da família Boidae, responsáveis por conectar módulos na rede por meio de muitas interações. Assim, dada a diversidade de espécies na comunidade, o efeito do tamanho pode estar associado mais fortemente a um clado de serpentes.
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