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Investigamos a ecologia trófica de Erythrolamprus taeniogaster a partir da análise quali-quantitativa do conteúdo estomacal de 612 exemplares (207 machos, 289 fêmeas e outros 116 indivíduos com sexo não identificado) provenientes de várias localidades da Amazônia oriental brasileira, tombados na Coleção de Herpetologia do Museu Paraense Emílio Goeldi. Observamos que E. taeniogaster apresenta uma dieta predominantemente piscívora (n= 38, 80%), sendo que as presas mais comuns encontradas foram os peixes Callichthys callichthys (n= 8; 12,5%) e Anablepsoides sp. (n= 8; 12,5%). Registramos, também, com pouca frequência, a ingestão de anfíbios anuros (n= 7, 20%). O sentido da ingestão predominante foi anteroposterior (76,6%). Observamos uma correlação positiva e significativa entre o comprimento rostro-cloacal (CRC) e o comprimento da cabeça das serpentes com o comprimento total das presas, assim como o CRC da serpente com a razão entre Comprimento Total e CRC, da mesma forma, sendo significativamente positiva. Serpentes de maior porte tenderam a ingerir presas também de maior porte, havendo exclusão de presas proporcionalmente pequenas pelas serpentes de maior porte. Também observamos que a espécie não apresenta variação ontogenética nem dimorfismo sexual em sua dieta. Fêmeas prenhes de E. taeniogaster não diminuem o consumo de alimentos durante seu período reprodutivo. Concluimos, a partir desses resultados, que Erythrolamprus taeniogaster é uma espécie piscívora generalista que forrageia ativamente durante o dia, capturando tanto presas inativas (atividade noturna) quanto presas ativas (atividade diurna).
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