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A diversificação de formas de organismos tem sido atribuída principalmente à seleção natural, sendo reflexo de fatores ecológicos e/ou resultado de uma forte inércia filogenética. Aqui foram empregados métodos de morfometria geométrica e métodos filogenéticos comparativos, afim de testar a associação da forma do crânio com a dieta e a presença de “sinal filogenético” em serpentes da família Dipsadidae. Foram analisados crânios de 273 indivíduos pertencentes a 148 espécies, distribuídas em três subfamílias, com representantes da América do Sul, Central e do Norte. Os resultados encontrados indicam que, tanto a vista dorsal do crânio (caixa craniana, focinho e suspensório), como a vista ventral do aparato palatomaxilar sofrem influência do tipo de dieta e carregam consigo certa inércia filogenética. Para vista dorsal, cerca de 17% da variação de forma encontrada está relacionada à dieta, enquanto para a vista ventral, este valor foi de 15%. A principal síndrome morfológica encontrada foi associada a serpentes que se alimentam de vertebrados alongados, que tendem a apresentar crânios estreitos, sem processo pós orbital do parietal, com nasais e frontais curtos e parietal longo e estreito, maxilares curtos e pterigoides deslocados posteriormente. Os resultados refutam a divisão do crânio em “trófico” e “não trófico” e também as hipóteses de que certas regiões do crânio seriam mais apropriadas para estudos ecomorfológicos, enquanto outras seriam mais adequadas para estudos filogenéticos, fazendo com que a maneira como enxergamos a evolução da forma do crânio dentro deste grupo seja repensada e reestruturada.
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