Amplitude no uso do habitat por girinos bentônicos e nectônicos

Vol. 2, 2019 - 104564
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Resumo

A distribuição de girinos no ambiente é geralmente inferida pela morfologia das espécies. Porém essa relação pode ser mais complexa do que inferências morfológicas sugerem, pois pode ser influenciada por diversos fatores bióticos e abióticos. Testamos se girinos com morfotipos bentônico (Physalaemus nattereri) e nectônico (Scinax fuscovarius) se distribuem e se alimentam diferencialmente no ambiente em dois períodos do dia (diurno e noturno). Utilizamos um sistema experimental com aquários contendo diferentes profundidades e oferta de alimento em três delas. Verificamos que os girinos com diferentes morfotipos de fato se distribuem e forrageiam em diferentes profundidades e que o período do dia influencia o uso do espaço pelas espécies. Girinos de S. fuscovarius foram mais generalistas, ocupando e se alimentando em diferentes profundidades, inclusive junto ao fundo do aquário. Girinos de P. nattereri ocorreram e se alimentaram predominantemente junto ao fundo, indicando que a morfologia bentônica é mais restritiva que a nectônica. À noite, ambas as espécies se alimentaram mais, porém girinos de S. fuscovarius deixaram o fundo da região profunda e se distribuíram nas demais profundidades, enquanto girinos de P. nattereri se concentraram ainda mais no fundo da região de maior profundidade. Os morfotipos podem predizer a distribuição dos girinos no ambiente, porém a amplitude do uso do espaço pode ser maior que a prevista por inferências devido à influência de fatores extrínsecos, como o período do dia. Nosso estudo auxiliou no conhecimento acerca da amplitude do nicho das espécies testadas e pode auxiliar a compreensão da estrutura de comunidades.

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Instituições
  • 1 Departamento de Zoologia e Botânica, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, São José do Rio Preto, SP, 15054-000, Brazil.
  • 2 Departamento de Ecologia, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, 74690-900, Brazil.
Eixo Temático
  • 5. Ecologia
Palavras-chave
Comportamento alimentar; ecologia experimental; ecomorfologia; guildas ecomorfológicas; larvas de anuros