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Entre os diversos mecanismos de anti-predação estão o criptismo e o aposematismo. Através da coloração críptica, animais tornam-se menos visíveis no ambiente, e, pela coloração aposemática, advertem sua falta de rentabilidade. Em anfíbios, ambas estratégias são bem conhecidas. Os sapinhos-de-barriga-vermelha (Melanophryniscus spp.) são tóxicos e usualmente diurnos, apresentam cores aposemáticas no ventre e, muitas vezes, no dorso também. Melanophryniscus cambaraensis, contudo, possui coloração dorsal verde, que é usualmente associada à camuflagem. Nessa espécie a exibição da coloração ventral vermelha não parece diminuir a taxa de ataque de predadores (se comparada a modelos controle sem vermelho). Neste estudo, procuramos avaliar experimentalmente se a coloração dorsal verde de M. cambaraensis poderia funcionar como um sinal aposemático para predadores visualmente orientados. Foram conduzidos experimentos de predação em campo utilizando massa de modelar, representando a espécie (modelos verdes) e uma rã não-tóxica genérica (modelos marrons). A taxa de predação por aves foi similar para ambos modelos, sugerindo que a espécie não é evitada. Houve significativamente mais ataques na parte anterior das réplicas, indicando que os modelos foram interpretados como presas. Como a maioria das espécies de Melanophryniscus, em diferentes grupos, apresenta cores dorsais aposemáticas, a coloração verde de M. cambaraensis/M. macrogranulosus e de M. admirabilis provavelmente evoluiu independentemente em ambientes de Mata Atlântica. A ausência de predadores visualmente orientados especializados em anfíbios, bem como a raridade temporal e espacial podem ter favorecido a camuflagem ao aposematismo nestas espécies. Esses resultados reforçam que o aposematismo nem sempre é a melhor estratégia para presas impalatáveis.
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