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O presente trabalho teve por objetivo sistematizar e analisar o conhecimento tradicional dos diferentes povos sobre as serpentes, mais precisamente aqueles relativos aos seus usos por 15 etnias indígenas: Krahô, Tapirapé, Gavião, Karajá, Krikati, Timbira, Xakriabá, Tapuia, Kamaiurá, Waurá, Javaé, Kanela, Xavante, Xerente e Guajajara. A maioria dos entrevistados eram do sexo masculino (n=46), enquanto que apenas 16 entrevistados foram do sexo feminino. Para isso, elaboramos um questionário semiestruturado com perguntas objetivas e dissertativas, buscando compreender melhor as relações da etnia com as serpentes. Treze entrevistados (21,6%) pertencentes as etnias Xakriabá, Waurá, Karajá, Kamaiurá, Xavante, Krahõ e Waurá acreditam que as serpentes não servem para nada. Sete entrevistados pertencentes as etnias Karajá, Kanela, Xavante, Krahõ e Xerente informaram que as serpentes existem para serem mortas. Apenas as etnias Krahõ, Guajajara e Tapirapé aparentemente usam as serpentes para o comércio de animais silvestres. Os Krikatis, Waurá, Karajás, Guajajaras, Xavantes e Tapirapés também costumam criar serpentes como PET. 35% dos entrevistados informaram se alimentar de serpentes, enquanto 22 entrevistados informaram usar partes das serpentes como remédios. Apenas quatro entrevistados (6%) (Xerente, Guajajara, Tapuia e Gavião) citaram a importância das serpentes para a manutenção da biodiversidade. Os resultados demonstram uma clara falta de consenso sobre a importância das serpentes até mesmo dentro da própria etnia perpetuando a percepção de que as serpentes são “más” e que não servem para absolutamente nada a não ser servirem ao ser humano, como alimento, remédios, mercadoria e/ou animais PET.
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