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O presente trabalho foi desenvolvido durante a disciplina de Ecologia do Cerrado do curso de Educação Intercultural da Universidade Federal de Goiás e contou com a participação de alunos indígenas com idades entre 17 e 55 anos pertencentes a quinze etnias: Krahô, Tapirapé, Gavião, Karajá, Krikati, Timbira, Xakriabá, Tapuia, Kamaiurá, Waurá, Javaé, Kanela, Xavante, Xerente e Guajajara. O objetivo do trabalho foi levantar quais serpentes são mais encontradas em suas comunidades e quais os nomes são atribuídos a cada uma na linguagem materna da etnia. As únicas etnias que não souberam responder foram os Javaés e Tapuias. Em contrapartida, obtivemos um levantamento de 23 espécies com nome comum baseado nos conhecimentos dos entrevistados. Destas, quatro espécies foram citadas com nomes comuns diferentes. Cabe ressaltar que apesar de sete etnias (Timbira, Tapirapé, Krahõ, Gavião, Kamaiurá, Guajajara e Krikati) terem citado a cobra-de-duas-cabeças, possivelmente se trata de uma Amphisbaena sp. Os Xavantes, Guajajaras e Karajás também citaram a cobra-cega (Ubonõ, Amiriku ruhu, Hróbio respectivamente), nome comum para Siphonops sp. um anfíbio. As serpentes mais citadas foram jararaca, cascavel, coral, jararacuçu, jibóia, cobra-cipó e sucuri, cada qual com seu nome indígena específico. A etnia Karajá citou uma “serpente inimiga das outras cobras e predadora das cobras, ela tem a cor preta”, chamada por eles de Wtyresa, possivelmente uma muçurana (Clelia sp). Este é sem dúvida o primeiro levantamento de serpentes baseado no conhecimento tradicional que buscou reconhecer os nomes que os próprios indígenas usam na linguagem materna para designá-las.
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