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Ameivula ocellifera e Gymnodactylus geckoides ocorrem em simpatria na Caatinga do Nordeste brasileiro. Diferenças morfológicas, estratégias de forrageio e utilização do espaço acabam por definir o grau de compartilhamento dos recursos disponíveis. Este trabalho foi realizado na Serra dos Macacos (Tobias Barreto, Sergipe) entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, totalizando 15 dias de amostragem e teve como objetivo analisar a dieta das duas espécies mencionadas anteriormente e como elas partilham os recursos tróficos. Foram coletados 10 indivíduos por espécie através de “pitfalls”, e seus conteúdos estomacais foram analisados com presas quantificadas e medidas. Foram identificadas dez categorias alimentares. Os itens mais frequentes para A. ocellifera foram Formicidae, Araneae (ambas F=6) e Termitoidae (F=4), o mais abundante foi Formicidae (N=74), seguido de Termitoidae (N=73) e o mais volumoso foi Araneae (V=211,98 mm³). Para G. geckoides, Termitoidae e Formicidae foram os mais frequentes (F=8 e 3, respectivamente) e abundantes (N=143 e 3, respectivamente), enquanto Termitoidae apresentou maior volume (V= 4.36mm³). Observamos uma maior largura de nicho para A. ocellifera (B=2,95) em relação a G. geckoides (B=1,08) e as espécies apresentaram uma sobreposição moderada (ø=0,71). A alta ingestão de Termitoidae nas dietas de G. geckoides e A. ocellifera já foram citadas na literatura para diferentes biomas, como a Caatinga e o Cerrado, sugerindo uma forte influência do conservatismo de nicho. Apesar da sobreposição de nicho alimentar considerável, divergências em outros parâmetros ecológicos (estratégia de forrageio e horário de atividade) podem amenizar os efeitos competitivos entre essas espécies.
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